DEM quer Serra fora do palanque

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O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ainda tentam retirar um ao outro da disputa pela prefeitura de São Paulo, mas internamente já trabalham com a avaliação de que é irreversível o quadro com as duas candidaturas. A briga, agora, é pelo controle do PSDB. O grupo de Alckmin preocupa-se em amarrar os vereadores do partido, fechados com o prefeito. Kassab, por seu lado, quer apenas a segurança de que seu padrinho político, o governador José Serra (PSDB), não será constrangido a subir ao palanque do tucano.

Na semana passada, o comando nacional do DEM pediu a Serra que mantivesse a mesma “postura de neutralidade” prometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições municipais. Por ela, nas cidades onde houvesse mais de um candidato do bloco político que o apóia, o governador evitaria entrar na campanha. O pedido é jogo combinado com o próprio Serra. O governador é o principal inspirador da candidatura de Kassab, que chegou à prefeitura como vice em sua chapa e manteve a administração municipal na linha ditada por ele. Enquanto o prefeito é um aliado, Alckmin é um adversário interno. Mas as pesquisas de opinião pública mostram que os eleitores tucanos esperam que Serra faça a campanha do candidato do partido.

É dessa saia justa que o DEM espera livrar Serra, com seu apelo pela “neutralidade”. O problema é que todos sabem que o governador está longe de ser neutro nessa disputa. A corrente de Alckmin pretende constrangê-lo a entrar na campanha ao lado do candidato oficial do partido. Serra é um eleitor importante na cidade de São Paulo. Em 2004, venceu a disputa pela prefeitura. Dois anos depois, quando conquistou o governo, voltou a ser o mais votado na capital. Tudo o que Kassab quer é vincular a imagem dos dois. Alckmin fará o possível para impedir. A melhor forma seria obrigar o governador a participar do programa de TV e de atividades de campanha do PSDB.

“Não vou causar nenhum constrangimento ao governador”, diz Kassab. “Por mim, ele estará livre para fazer o que desejar na campanha”. A declaração educada também é tática. O prefeito dispõe de um arquivo com toneladas de imagens nas quais ele e o governador inauguram obras juntos, trocam elogios e declarações de apoio. Se Serra estiver em casa, na prática estará na campanha de Kassab.

A outra preocupação dos “alckmistas” é com os vereadores do partido. Hoje, apenas um apóia Alckmin. Os demais estão fechados com o prefeito. Não é por acaso. Desde que Serra assumiu a prefeitura, em 2005, articulou-se muito com a bancada municipal. Os vereadores ganharam o direito de indicar ocupantes de cargos em suas regiões eleitorais. A aliança foi mantida por Kassab e os vereadores retribuem. “Quem tem mandato do PSDB terá de estar na campanha do partido”, diz o deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), um dos articuladores de Alckmin. “Se não fizer isso, pode ser punido pela direção partidária e certamente será responsabilizado pelos eleitores”. O prefeito discorda. “Os vereadores do PSDB estiveram ao lado de nossa administração nos últimos três anos. Não há como combaterem essa administração.”

O cenário em São Paulo
Marta Suplicy (PT): A ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo ainda não tem aliados, corre para conquistar o apoio do bloquinho. O PT, sozinho, tem quase quatro minutos e 30 segundos no horário eleitoral gratuito de rádio/televisão. Na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de semana, ela é a líder em intenção de votos, com 30%, e está tecnicamente empatada com Geraldo Alckmin, que ficou com 29%. Os dois tiveram variação positiva de um ponto.

Geraldo Alckmin (PSDB): O ex-governador paulista conseguiu o apoio do PTB. A coligação soma cerca de quatro minutos e 30 segundos de propaganda no rádio e na TV.

Gilberto Kassab (DEM): O prefeito, candidato à reeleição, fechou aliança com PMDB, PR e PV. Na pesquisa Datafolha, Kassab aparece em terceiro lugar. Variou dois pontos para cima e chegou a 15%. Mas o prefeito pode comemorar os dados da pesquisa espontânea, na qual o eleitor aponta seu preferido sem ver a lista de candidatos. Essa modalidade costuma mostrar os votos mais consolidados. Nela, Marta tem 18% e Kassab é o segundo com 13%. Alckmin ficou em terceiro, com 9%.O prefeito ainda trabalha para ampliar a coligação, fazendo contatos com o PPS e o PP. A provável chapa de Kassab já tem, até agora, cerca de 10 minutos de televisão.

Luiza Erundina/Aldo Rebelo/Paulo Pereira da Silva (Bloco de Esquerda, ou bloquinho – PSB/PC do B/PDT, etc): O bloco tem seis partidos em nível federal mas há divergências internas. O PT assedia o grupo em diferentes frentes. Os três partidos, juntos, somam quatro minutos e 30 segundos de televisão.

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