Japoneses buscam parceiros para o trem-bala

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Empresas estrangeiras que produzem trem de alta velocidade (TAV) já iniciaram as buscas por parceiros brasileiros a fim de participar do projeto que ligará os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, um investimento estimado entre US$ 8 bilhões e US$ 11 bilhões. No mês passado, o governo federal informou que exigirá transferência de tecnologia das companhias estrangeiras, o que obriga a associação com empresas nacionais.

O grupo japonês que detêm a tecnologia, com empresas como a Mitsui, a Toshiba Corporation e a Mitsubishi Heavy Industries, está interessando em concorrer à licitação, mas ainda não conhece as empresas brasileiras que podem integrar um futuro consórcio.

Segundo o vice-presidente da Mitsui Brasileira, Masao Suzuki, a hora é de tornar o seu "Shinkansen" (trem-bala japonês) conhecido pelas empresas brasileiras. "Não temos parceiros, mas estamos de olho na licitação." O projeto, porém, ainda não está definido, e Suzuki diz que não recebeu sinal do governo brasileiro sobre a data de abertura da licitação. Há seis países com essa tecnologia: Alemanha (Siemens), Coréia do Sul (Rotem), França (Alstom), Itália (Breda), China e Japão.

Em seminário realizado ontem em São Paulo, os japoneses conseguiram reunir empresas nacionais. Uma das presentes foi a fabricante de materiais ferroviários T"Trans. O presidente da empresa, Massimo Giavina-Bianchi, está satisfeito com a determinação do governo de exigir as parcerias. "Nós temos mão-de-obra qualificada, só não temos a tecnologia", diz.

O trem de alta velocidade deve ir de Campinas (SP) ao Rio, percorrendo uma distância de cerca de 600 quilômetros. Segundo as empresas japonesas, há possibilidade de paradas nos aeroportos de Viracopos, Guarulhos e Galeão (RJ). Também pode haver estações nas cidades de São José dos Campos (SP) e Resende (RJ). Segundo Suzuki, da Mitsui Brasileira, a distância média de parada para o TAV - que chega a 320 km/h - é de 30 quilômetros. "Detalhes como o tipo de carro, o consumo de energia, serão abordados depois do projeto ser apresentado pelo governo", diz.

Para a Agência de Desenvolvimento de Trens Rápidos entre Municípios (ADTrem), a discussão de qual tecnologia será usada é prematura. "Como definir a tecnologia se ainda não se sabe o projeto?", diz Guilherme Quintella, presidente da agência. O governo sinalizou que quer a obra pronta antes da Copa do Mundo de 2014. O projeto definitivo deve ser finalizado pelo BNDES até o fim do ano.

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