Gilberto Carvalho foi investigado pela PF, diz Protógenes

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O delegado Protógenes Queiroz confirmou nesta quarta-feira (6) em depoimento à CPI dos Grampos que Gilberto Carvalho, que o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um dos investigados pela Operação Satiagraha da Polícia Federal. Protógenes presidiu a Operação até meados de julho.

A confirmação da investigação sobre Carvalho veio em uma pergunta do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). O parlamentar questionou o delegado sobre a inclusão do chefe de gabinete de Lula entre os investigados. Protógenes respondeu que Carvalho estava no inquérito “ da mesma forma como os outros dois”.



Protógenes se referia ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e a jornalista da "Folha de São Paulo" Andrea Michael, que ele havia admitido anteriormente ter investigado em pergunta feita pelo relator Nelson Pellegrino (PT-BA).

“As pessoas que o senhor mencionou são alvo da investigação. Por limitação legal, não posso entrar em detalhes. Elas apenas foram investigadas e tiveram indícios para que permanecessem no inquérito policial”, respondeu Protógenes a Pellegrino.



A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto disse que não vai comentar a declaração feita por Protógenes à CPI.



Investigados


Grampos feitos pela PF vazados para a imprensa mostraram conversas entre Greenhalgh e Carvalho. O ex-deputado pede ajuda ao chefe de gabinete de Lula para saber se há investigação sobre um de seus clientes, Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e aliado de Dantas. Carvalho retorna a ligação dizendo que não há nada contra Braz na Abin e fica de verificar se existe investigação na PF.

O nome de Andrea Michael aparece no inquérito por ter feito uma matéria antes da Operação Satiagraha anunciando que a PF investigava Dantas.



Depoimento



Mais cedo, o delegado da Polícia Federal culpou indiretamente a troca de comando da instituição por um enfraquecimento das investigações da Operação Satiagraha. Ele já fez uma representação ao Ministério Público Federal pedindo que se investigue a obstrução à operação.

Na CPI, o delegado afirmou que a mudança no comando da PF em setembro do ano passado com a posse de Luiz Fernando Correa no lugar de Paulo Lacerda promoveu mudanças nas estruturas das operações da instituição. Ele não quis se referir diretamente ao caso da Operação Satiagraha.

“Em relação à atividade policial, é normal que em toda mudança de comando há reestruturação. Nessa reestruturação, evidentemente, ocorrem determinadas mudanças que atingem determinados setores”, disse o delegado.



Protógenes afirmou que entre as mudanças que aconteceram na troca de comando houve a redução de algumas equipes. “Dentro dessa reestruturação que houve existem algumas dificuldades até pelo recrutamento de pessoas, reavaliação do que seria importante, se a equipe do delegado X precisa de cinco policiais e a do delegado Y precisa só de um.”



Ele ressaltou a denúncia que fez ao MPF e disse que caberá ao órgão e à Justiça dizer se houve obstrução na Operação Satiagraha.



Saída das investigações


O delegado também não quis esclarecer sua polêmica saída do comando das investigações. Ele afirmou apenas que havia avaliado a possibilidade de continuar na operação mesmo durante o curso de formação que realiza em Brasília, motivo apontado pela PF para a saída do delegado.