Senado esvazia denúncias contra Renan

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Faltam adversários e elementos consistentes para incriminar o senador alagoano. Sem um adversário de alto coturno no Senado e elementos consistentes capazes de incriminá-lo, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), assiste de camarote ao esvaziamento da denúncia de que teria contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Ontem, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), disse que, se depender dele, a decisão sobre a representação feita pelo PSol contra Renan por quebra de decoro parlamentar se arrastará por pelo menos mais uma semana.

Para a reunião do conselho marcada para amanhã, está prevista uma explanação do corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), sobre a documentação entregue por Renan. Em seguida, conforme o planejado por Sibá, cada senador integrante do conselho receberá a papelada a fim de, na próxima semana, manifestar um juízo sobre se o colegiado abre ou arquiva o processo contra Renan por ferir o decoro. "Estou convencido hoje de que seguiremos o caminho do adiamento", declarou Sibá. "O tempo não pode ser problema neste momento. Vamos disponibilizar os documentos para todos lerem com atenção, o que deixaria para a semana que vem a decisão de se abrir processo ou não", acrescentou.

Se não decidir pelo adiamento do exame da representação do PSol na reunião de amanhã, o conselho pode deliberar de imediato pelo arquivamento ou pela abertura do processo contra Renan. Se o processo for instaurado, caberá a Sibá a designação de um relator, que poderá ser o próprio corregedor Romeu Tuma. Não há impedimento legal para que Tuma acumule as duas funções, disse ontem Sibá. O problema é que o senador democrata, interessado em se desvencilhar do caso, resiste a aceitar mais uma missão.
Hoje, com a ausência de um elemento consistente capaz de enredar Renan no escândalo das empreiteiras, o clima é favorável a que a representação contra o quarto homem na linha sucessória da República seja sepultada. Mas, apesar da falta de disposição da maioria dos parlamentares do conselho de levar o caso Renan adiante, mandar o processo pura e simplesmente para o arquivo de maneira prematura, avaliam, poderá depor contra a imagem do Senado.

Por isso, a tendência é de que haja concordância em torno da proposta de dar mais um tempo aos integrantes do conselho para a análise dos documentos. Outro temor dos senadores é o de serem pegos de surpresa com algum fato novo envolvendo Renan, embora considerem o surgimento de novidades improvável. Daí, a cautela. Hoje, Tuma colheria o depoimento do lobista suspeito de bancar as contas pessoais de Renan, Claudio Gontijo.

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