Presidente do grupo Moinho rebate críticas e afirma: 3º mandato para Lula é democrático se sociedade quiser

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O empresário Lawrence Pih, 65, presidente do grupo Moinho Pacífico, é favorável a um terceiro mandato para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa prolongar o resgate da população carente. "O projeto dele não está completo, e a sociedade está satisfeita com seu governo", diz.
Pih diz que "Lula, com certeza, não é Chávez", não imita a Venezuela. Para ele, os empresários não dizem abertamente que apoiariam um terceiro mandato, mas "acham que não seria ruim continuarem as coisas como estão".

FOLHA - O sr. é favorável ao terceiro mandato para o presidente Lula?

LAWRENCE PIH - Na conjuntura atual, seria bom para o país. Pelo menos para que o programa do presidente seja prolongado: distribuição de renda, resgate da população mais carente do país, universo importante que o governo conseguiu. O país está crescendo num ritmo maior.

FOLHA - Como o sr. vê as críticas ao terceiro mandato?

PIH - Algumas pessoas dizem que seria um golpe. É um processo democrático. Até sugeriram um plebiscito. Se houver consulta à sociedade e a sociedade aprovar, seria a vontade da maioria. Se a sociedade aprova que o presidente Lula merece um terceiro mandato, porque o projeto dele não está completo, e a sociedade está satisfeita com a forma de governo que Lula vem conduzindo o país durante oito anos, é democracia, meu Deus.

FOLHA - O governo está articulando o terceiro mandato?

PIH - Não. Quando a economia vai bem, quando a popularidade do presidente está alta, o assunto vem à tona. Por que o ex-presidente FHC e seu governo articularam o segundo mandato? Porque a popularidade dele permitia, e não houve consulta à sociedade. O Legislativo tomou para si a responsabilidade e com gestões pouco elogiosas, como as acusações de compra de voto para mudar a Constituição. Essa conversa de golpe é uma questão de conveniência.

FOLHA - Essa vontade resulta de projetos como o Bolsa Família ou é disseminada em toda a sociedade?

PIH - O Bolsa Família tem um aspecto importante, o crescimento econômico também. Hoje a população sente que está melhor do que oito anos atrás. Você não pode dizer que o governo usou o Bolsa Família para tentar cooptar o eleitor. O eleitor se sente bem ou não.

FOLHA - Os programas seriam relegados com a alternância de poder?

PIH - É possível que tenham menos ênfase. Eu me lembro de governos anteriores que defendiam a tese de crescer o bolo antes de distribuir. Se um outro governo for um pouco mais ortodoxo, haverá menos ênfase.
Para o governo Lula, resgatar essa população carente é uma questão muito cara.


FOLHA - A quem interessa agora o debate sobre o terceiro mandato?

PIH - Naturalmente, vejo o governo, o partido do presidente e a base aliada querendo manter as coisas como estão: se manter no poder. A oposição tem a obrigação de tentar obter o poder. O PT não quis ser oposição eternamente. Até usou de estratégias que não usava no passado para chegar ao poder.

FOLHA - O deputado Devanir Ribeiro fala pelo amigo presidente?

PIH - Não acho. Fala por segmentos do partido e pela base aliada. Agora, tem que convencer o presidente de que esse seria um caminho. No passado, o presidente disse que era contra o terceiro mandato.

FOLHA - O presidente é sincero quando diz que não pretende patrocinar mudanças na Constituição?

PIH - Sim. Ele vê com bons olhos o projeto de o governo continuar. Acredito que ele não tem sede de poder. Uma das acusações é a de que o governo está tentando imitar o modelo da Venezuela. Lula, com certeza, não é Chávez.

FOLHA - O sr. viu espontaneidade no vice-presidente José Alencar ao defender o terceiro mandato?

PIH - Vi. O vice critica o Banco Central, fala com sinceridade. É espontâneo, expressa sua opinião, não a do governo.

FOLHA - A idéia do terceiro mandato atende à falta de candidatos fortes no PT para suceder Lula?

PIH - Acho que não existe candidato forte em lugar nenhum do Brasil para suceder Lula, seja de oposição, seja do governo.

FOLHA - Ao divulgar o PAC ao lado da "mãe do PAC", Lula não estaria fazendo campanha eleitoral?

PIH - É interessante. Se não tivesse o PAC, diriam que o governo é inerte, não investe, não se preocupa com infra-estrutura. Quando faz, criticam porque é "eleitoreiro". Sempre haverá motivo para criticar.

FOLHA - A ministra Dilma Rousseff seria uma boa candidata?

PIH - A ministra é muito competente. Não tem carisma como o Lula. Ela não tem tanto talento político, mas com certeza seria uma grande executiva.

FOLHA - Empresários querem o terceiro mandato? O sr. é voz isolada?

PIH - Muitos estão tendo resultados expressivos, estão vendo a estabilidade econômica e que o governo conduz com seriedade a economia. Acham que não seria ruim continuar as coisas como estão. Não dizem que apoiariam um terceiro mandato, mas veriam com bons olhos que as coisas fiquem como estão. Não têm do que reclamar. Na Folha, para quem assina

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