Três delegados da PF deixam Operação Satiagraha

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Após a saída do delegado Protógenes Queiroz do caso que envolve a Operação Satiagraha, outros dois delegados deixaram as investigações. Eduardo Pellegrini Magro e Karina Murakami Souza teriam saído em solidariedade ao colega, que teria se afastado por "motivos pessoais".

As explicações sobre a saída de Protógenes são contraditórias. Alvo de sindicância interna que o coloca como principal suspeito do vazamento das informações sobre a operação e em guerra aberta com seus superiores - sobre os quais chegou a levantar suspeitas de que estivesse sendo boicotado - Queiroz disse que foi obrigado a se afastar das investigações sobre Daniel Dantas e os demais integrantes do Grupo Opportunity.

A pressão, segundo o Queiroz contou a outros delegados, juízes e procuradores, foi exposta numa reunião na superintendência da PF em São Paulo, onde participaram os delegados Paulo de Tarso Teixeira e Roberto Troncon Filho, diretor de Combate ao Crime Organizado a PF e superior de Protógenes.

De acordo com informações do Jornal Nacional, os outros dois delegados também teriam anunciado ao juiz da 6ª Vara Federal Criminal Fausto de Sanctis e ao procurador da República Rodrigo de Grandis que foram obrigados pela Polícia Federal a deixar o caso.

De acordo com a PF, Protógenes estava inscrito no Curso Superior de Polícia desde o mês passado e seu pedido de afastamento, formalizado ontem à sua equipe e à direção da PF, não tem nenhum tipo de relação com eventuais pressões que o policial poderia estar sofrendo. O curso a que se submeterá o policial abrange uma parte de ensino à distância, já concluída por ele, e um módulo presencial, com duração de 30 dias, de 21 de julho a 22 de agosto.

A direção da Polícia Federal informou, através de sua assessoria, que a saída dos três delegados não vai atrapalhar as investigações contra o grupo de Daniel Dantas, abertas com a Operação Satiagraha. O caso, informou o órgão, não pertence a pessoas e sim à instituição. A equipe que trabalha na apuração será reforçada para analisar o material apreendido nos endereços devassados na última terça-feira passada.

Na noite de terça-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o afastamento de Protógenes "é uma questão de rotina da Polícia Federal". Ele afirmou ainda que o pedido de férias do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, também não tem relação com as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). "Se trata realmente de uma coincidência", disse.

"As férias estavam marcadas e eu pedi que não mudasse. Não tinha nenhuma emergência, nenhuma instabilidade política", explicou o ministro da Justiça. Tarso enfatizou também que o inquérito sobre a Satiagraha "está 99% terminado".

Investigações
Segundo reportagem do Jornal do Brasil, o relatório da Operação Satiagraha deixado pela equipe de Protógenes Queiroz deixa em aberto várias outras frentes de investigação. A mais consistente, com fartura de diálogos captados no grampo telefônico, reforça o papel do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT paulista, em franca articulação de bastidor para influenciar decisões a favor do Grupo Opportunity em órgãos oficiais, especialmente no Palácio do Planalto.

Citado ao lado de Guilherme Henrique Sodre Martins, assessor de Dantas conhecido por Guiga, e do braço direito do banqueiro, Humberto José Rocha Braz, o Guga, preso sob a acusação de tentar subornar um delegado, Greehalgh aparece como um dos principais alvos da investigação.

"Há fortes indícios da participação destas pessoas nos delitos de formação de quadrilha, de tráfico de influência e corrupção ativa, sendo que para estes dois últimos delitos, esperamos obter mais elementos probatórios após a realização de buscas e apreensões", diz o relatório.

Outra frente de investigação deixada pela equipe que saiu do caso é o agronegócio, atividade que, segundo afirma o relatório da Polícia Federal, era usado pelo Grupo Opportunity para lavar a fortuna obtida de investimentos movimentados no exterior, cuja origem era o dinheiro público desviado. No alvo da Polícia Federal e Ministério Público estão empreendimentos rurais estimados em mais de R$ 500 milhões, usados para a compra de fazendas e criação de gado no Pará.

O centro dos investimentos é a antiga Fazenda Cedro, a 50 km de Marabá, no Sul do Pará, para onde convergem projetos voltados para a produção de biodiesel e gado de raça. O relatório cita duas empresas, a Santa Bárbara Xinguara, cuja sede fica em Amparo (SP) e Acobaça Consultoria e Participações, de Três Rios (RJ), cujos donos são a irmã de Daniel Dantas, Verônica Dantas e seu ex-marido, Carlos Rodenburgo, apontado como gerente financeiro do grupo.

Segundo a polícia, Dantas pretendia construir um porto no Pará e, para isso, contava com a ação de Greenhalgh para atuar junto às autoridades do governo estadual.

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