Queda da inadimplência ajuda a reduzir em 22% o spread bancário

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A queda da inadimplência e o corte da margem de lucro dos bancos foram os fatores mais importante por trás da redução dos "spreads" bancários em 2007, mostra o relatório do Banco Central que investiga por que os juros cobrados no Brasil estão entre os maiores do mundo. Os "spreads" bancários caíram 22% no ano passado, na maior redução observada no governo Lula.

Desde 1999, quando lançou o seu projeto de redução dos juros bancários, o BC divulga um amplo diagnóstico anual do mercado de crédito. Os economistas da instituição calculam o peso de fatores como inadimplência, tributos, compulsórios e custos administrativos no chamado "spread" bancário, que é a diferença entre os juros pagos pelos bancos aos depositantes e as taxas cobradas de quem toma empréstimos. O estudo mostra que, em 2007, o "spread" foi de 28,4 pp, uma queda de 6,34 pp. em relação ao "spread" de 34,76 pp. observado em 2006. O fator mais importante por trás dessa queda foi a melhora da inadimplência. Em 2007, a inadimplência teve um peso de 10,61 pp. no "spread", bem abaixo dos 13,33 pp. observados em 2006. Para o BC, dois fatores explicam a queda da inadimplência. Um deles é a expansão do crédito consignado, que tem risco de perda menor. Outro fator é a melhora do mercado de trabalho.

Se, em 2007, emprego e renda deram contribuição positiva para derrubar os "spreads", esses fatores são uma incógnita daqui por diante. O departamento econômico do Unibanco criou um indicador antecedente de inadimplência, a partir da razão entre a variação dos volumes de crédito e a variação da renda real. Esse índice aponta que, daqui para o fim do ano, haverá aumento da inadimplência. "Não será nada grave, que crie problemas para os bancos ou comprometa o consumo, mas deverá ter uma piora", diz o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon.

Outro indicador chave é o ritmo de expansão da economia. Samolon diz que, quando o crescimento da economia cai abaixo de 4%, produz o aumento da taxa de desemprego. Vários economistas, incluindo os do Unibanco, projetam expansão da economia de 3% em 2009. Outro componente do "spread" que teve queda representativa é a o lucro dos bancos antes do pagamento de impostos. O peso desse fator caiu de 9,8 pp. para 7,65 pp. entre 2006 e 2007. Segundo o BC, o ambiente de maior competição, ao lado do aumento dos ganhos de escala, levou os bancos a cortar margens. Em 2008, entraram em vigor algumas medidas que ampliam a competição, como o fim da taxa de abertura de crédito (TAC) e a obrigação dos bancos de divulgar os juros cobrados na fora de custo efetivo total (CET).

O relatório do BC registra redução do peso no "spread" de tributos indiretos, sobretudo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que passou de 2,67 pp. para 2,3 pp entre 2006 e 2007. Como a alíquota desse tributo manteve-se estável em 1,5% em 2007, o BC diz que o custo caiu porque ele foi diluído por um período maior, já que os bancos estão alongando o prazo de suas operações. Neste ano, o governo aumentou a alíquota do IOF de 1,5% para 3,38%. O peso dos custos administrativos caiu de 4,3 pp. para 3,84 pp. entre 2006 e 2007.