Emocionado, Múcio é confirmado para o TCU

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Com 46 votos favoráveis, 11 contrários e 1 abstenção, o plenário do Senado confirmou terça-feira a indicação do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas da União. Ele assume a vaga deixada pelo ministro Marco Antonio Vilaça, que se aposentou.

Para tomar posse, Múcio ainda terá que ser demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva do cargo de articulador político do governo e renunciar ao mandato de deputado federal. O substituto de Múcio na coordenação política do governo será o secretário de Assuntos Federativos, Alexandre Padilha (PT). A transferência do cargo está prevista para o dia 28 de setembro.

Durante a votação, senadores de governo e oposição saíram em defesa da indicação de do ministro. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que está confiante no bom desempenho de Múcio em uma das cadeiras do TCU.

– Tenho certeza que o ministro José Múcio vai honrar a trajetória do Tribunal de Contas da União – afirmou.

O vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), ressaltou que o ministro é uma das poucas figuras políticas com bom trânsito entre governo e oposição.

– O presidente Lula acertou. O ministro Múcio é um homem preparado, uma pessoa séria, um político habilidoso e tecnicamente qualificado para o cargo. Ele é uma das raras figuras que podem ostentar a possibilidade de ampla simpatia suprapartidária – disse.

O senador Tião Viana (PT-AC), acrescentou que o ministro terá chance de ajudar o TCU a se aperfeiçoar e modernizar as ações de fiscalização.

– Múcio irá ajudar a superar a imagem de que o tribunal ainda tem uma estrutura viciada e complicada – observou.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), disse que apoiou a nome de Múcio porque a oposição está preocupada em fortalecer o TCU.

– Nós temos a certeza que a presença do ministro Múcio irá fortalecer as ações do TCU, um órgão que está cada vez mais atento e mais atuante no combate à corrupção – comentou o tucano.

Antes de ser referendada pelo plenário, escolha de Múcio foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Lá, em votação secreta, o ministro recebeu apenas um voto contrário. Durante a sabatina, Múcio, mais de uma vez, arrancou elogios de senadores do governo e da oposição. Ao final da votação na comissão, o ministro se emocionou e quase chegou às lágrimas.

Apesar de fazer parte do governo do presidente Lula, Múcio disse que não vê problemas em julgar as contas do governo no TCU – órgão auxiliar do Congresso na fiscalização contábil da União e das entidades da administração direta.

– Me sinto com absoluta isenção. E vou usar a mesma ferramenta que usei até agora. Como diz o poeta: desatar os nós e reatar os laços – resumiu o ministro, que revelou a interlocutores que passou o fim de semana estudando o funcionamento do TCU para enfrentar a sabatina de terça-feira.

Toffoli

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), garantiu terça-feira no Twitter que José Antonio Dias Toffoli, atual advogado-geral da União, será sabatinado mesmo no dia 30 pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Toffoli foi indicado pelo presidente Lula para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Havia um movimento da base governista para antecipar para quarta-feira a sabatina de Toffoli, a fim de evitar que continuassem surgindo denúncias que pudessem constranger o advogado.

“Toffoli saiu agora do meu gabinete. Sabatina será dia 30. Quinta-feira, será lido o texto do relator e teremos um pedido de vista coletivo”, explicou Jucá no Twitter.

Toffoli visitou terça-feira o Senado e se reuniu com Jucá, com o Demóstenes Torres (DEM-GO), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, e com Eduardo Suplicy (PT-SP). Demóstenes disse que Toffoli foi entregar documentos que serão distribuídos ao relator Francisco Dornelles (PP-RJ) e demais senadores. O advogado, contudo, aproveitou a visita para pedir apoio dos parlamentares durante a sabatina. A visita aconteceu logo depois da divulgação de que a Justiça do Amapá condenou Toffoli a devolver R$ 420 mil aos cofres do Estado. O fato havia acendido os ânimos da oposição, que ainda ameaça esquentar a sabatina de Toffoli no Senado

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