Concurso Fraudado...E José Serra não diz nada

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Aprovado não soube dizer onde fica a Bahia

Cerca de 17,6 mil pessoas participaram do concurso; desses, 415 candidatos chegaram à prova oral e 128 foram aprovados


Concurso realizado em julho pelo Instituto de Criminalística, da polícia de São Paulo, para contratar fotógrafos periciais foi fraudado. A segundo a Folha, registrou em cartório o nome de três pessoas que seriam aprovadas, o que acabou ocorrendo.Um dos candidatos aprovados no concurso é parente do diretor do instituto, José Domingos Moreira das Eiras.

Nervoso, ele errou boa parte das questões do exame oral. Não conseguiu, por exemplo, definir o que é um quadrado.Segundo funcionários ligados ao concurso, os três candidatos listados pela reportagem chegaram à prova "altamente recomendados".

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, determinou a suspensão do concurso, que teve cerca de 17,6 mil candidatos.

Folha registrou em cartório o nome de três vencedores do concurso para fotógrafo pericial oito dias antes de o resultado ser divulgado

André parecia estar diante do seu pior pesadelo. Visivelmente nervoso, falhou em grande parte do teste. Não conseguiu responder corretamente o que é um quadrado, como é a fauna do Pantanal, confundiu-se ao soletrar assessoria (disse "ascessoria") e também ao responder em qual região fica a Bahia. Sobre fotografia, o tema específico da teste, recorreu muitas vezes ao "não me recordo".

Quem assistiu à prova oral de André, no último dia 1º de julho, pensou ver levantar-se da cadeira um jovem constrangido e distante de se tornar fotógrafo da Polícia Científica de São Paulo. Enganou-se: tudo aquilo era uma encenação, e ele havia sido aprovado antes mesmo de sentar-se ali.

O nome de André das Eiras Braiani está numa lista registrada pela Folha em cartório oito dias antes de o "Diário Oficial" revelar os candidatos aprovados no concurso para fotógrafo pericial (FTP 01/2008). Até essa data, nem mesmo o próprio candidato sabe (ou não deveria saber) se conseguiu ou não ser aprovado para trabalhar na polícia paulista.

Além de André, a reportagem registrou os nomes de outros dois candidatos (Cristiane Naomi Hiroishi e Alessandro Furtado Pecchia), e eles também foram aprovados, de fato.

Teatrinho

Cerca de 17,6 mil pessoas participaram do concurso. Desses, 415 chegaram à prova oral -128 foram aprovados.

Os três candidatos dos quais a Folha tinha informações de que seriam aprovados chegaram à prova oral "altamente recomendados", segundo funcionários ligados ao concurso. Essa é, segundo eles, a senha para aprovação de uma pessoa, a despeito de seu desempenho.

No caso de André, ainda segundo os funcionários, ele foi apresentado como sobrinho do diretor do IC (Instituto de Criminalística), José Domingos Moreira das Eiras, que é um dos principais membros da banca de exame oral.
A Folha, o diretor disse que o grau de parentesco é menor: "Um primo de terceiro grau".

Independentemente desse grau, o parente do diretor conseguiu surpreendentes 76 pontos na prova oral (de um total de cem), considerando que não conseguiu responder corretamente à boa parte dos testes.

A reportagem teve acesso aos DVDs com o registro da prova oral na última quinta-feira, após interferência do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto. Até então, a diretor da Academia de Polícia, Adilson José Vieira Pinto, não permitia que isso acontecesse.

A gravação é feita em evento aberto ao público como forma de mostrar "transparência".
Dos três candidatos aprovados (André, Cristiane e Alessandro), a reportagem só pôde ver o teste dos dois primeiros. Isso porque, segundo a funcionária que exibiu o material à reportagem, houve uma "falha técnica" e o teste de Alessandro não foi gravado. Este negou à Folha ter sido ajudado no teste.

O vídeo é o único registro oficial do desempenho do candidato. Oficialmente, não houve explicação para o que ocorreu.

Pelo vídeo, não é possível dizer que o desempenho de Cristiane tenha sido ruim ou que ela foi beneficiada pela banca.
A reportagem viu também o teste de sete outros concorrentes. Entre os quais, o de Rogério Veras Vianello, que foi ainda pior que André na prova e, mesmo assim, foi aprovado.

Segundo funcionários, Rogério também chegou à banca com "alta recomendação" de "diretores" do IC. O candidato conjugou um "vós troçais" como sendo no pretérito do verbo trazer e disse que quem nasce em Fortaleza é cearense.

Dois funcionários ligados à Segurança Pública que assistiram às gravações ao lado dos repórteres da Folha ficaram incrédulos quando informados que Rogério e André foram aprovados.

A corregedora Maria Inês Trefiglio Valente investigará o concurso já recolheu todos os documentos referentes. Folha

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