Partidos escolhem líderes para ano eleitoral

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Na estratégia eleitoral do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), possível candidato à Presidência da República, o novo líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), ficará responsável por concentrar no Congresso Nacional as críticas ao governo federal. Ligado ao governador paulista, Almeida tomará posse na liderança no dia 2 de fevereiro e, além de assumir um discurso contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá como missão reorganizar a bancada tucana na Câmara.

Já a defesa do presidente Lula e o comando das votações de interesse do governo serão comandadas pelo novo líder do PT, Fernando Ferro (PE). A articulação de alianças eleitorais e a participação na campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), no entanto, deverão continuar com o grupo que hoje comanda a bancada, representado por Cândido Vaccarezza (SP), ligado ao ex-ministro José Dirceu.

Em ano eleitoral, os líderes no Congresso ganham função estratégica nas campanhas nacionais. Além de ajudar na costura de alianças, são responsáveis por negociar projetos que serão usados na campanha, pelo tom dos discursos para contrapor ataques dos adversários e por pacificar conflitos partidários.

No PSDB, Almeida será um líder identificado com a campanha de Serra à Presidência da República. O deputado baiano é conhecido por sua combatividade e ajudará a oposição a reforçar os ataques à gestão do presidente Lula. A ideia, segundo tucanos ouvidos pelo Valor, é evitar que o candidato à Presidência se desgaste com críticas a Lula, cujo governo tem 72% de aprovação, segundo o Datafolha. "Serra tem que cuidar de discutir o futuro, de falar o que poderá melhorar a partir do que está aí", comentou Almeida. "Nós (parlamentares) vamos mostrar que Lula é um mito e que a candidata dele não é boa gerente como dizem." Serra declarou recentemente em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" que o candidato não deve ser "chefe da oposição".

Dentro da bancada tucana, Almeida terá que minimizar os conflitos gerados com a recondução de José Aníbal (SP) à liderança do partido em 2009. Parte da bancada não queria que Aníbal tivesse mais um mandato e rebelou-se. Almeida tem bom trânsito no PSDB e boa relação com o governador de Minas, Aécio Neves. Ele foi coordenador a campanha de Aécio na disputa pela presidência da Câmara.

Na próxima semana, o novo líder tucano conversará com Serra para definir projetos prioritários e o que deverá ser vetado. O PSDB tentará obstruir a votação de propostas que aumentem gastos do próximo governo, como reajustes salariais, para evitar "uma bomba de efeito retardado" para quem assumir a Presidência em janeiro de 2011.

O PT insistirá na votação do novo marco regulatório do pré-sal. Ferro, que deve ser oficializado em fevereiro, é especialista na área de Minas e Energia e ficará encarregado de apressar a votação dos dois projetos do pré-sal que ainda precisam ser aprovados pela Câmara. "Vamos agilizar para que tudo seja votado no Congresso até junho. Não adianta criar a ilusão de ter uma pauta importante para votar depois desse período", afirmou Ferro.

A condução política da bancada, contudo, será disputada entre os grupos do futuro líder e do atual. Ferro é mais conhecido pela capacidade técnica de discutir projetos do que pela articulação política. O próprio deputado lembrou de críticas de "pouco jogo de cintura" que ouviu de colegas, mas rebateu os comentários citando que ocupou interinamente a liderança no período de maior desgaste do PT, em 2005, no auge do mensalão. Em 2009, Ferro tentou voltar à liderança, com apoio de sua tendência, Mensagem ao Partido, e a simpatia do presidente do partido, Ricardo Berzoini, mas foi derrotado pelo grupo de Dirceu, que elegeu Vaccarezza. "Ele tem condição de ser líder, mas não vai necessariamente participar do comando da campanha de Dilma", disse um aliado de Dirceu.

Vaccarezza é cotado para assumir a liderança do governo na Câmara, mas por enquanto o Planalto deve manter Henrique Fontana (RS) na função. Romero Jucá (PMDB-RR) deverá continuar como líder do governo no Senado e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso.

O PMDB manteve na liderança da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) articulador da indicação de Michel Temer, presidente da Câmara, para vice de Dilma. Alves é um dos principais responsáveis pela negociação de alianças com o PT.

No DEM, a escolha do líder na Câmara deverá refletir a disputa interna entre o grupo ligado ao ex-presidente do partido Jorge Bornhausen e o atual, deputado Rodrigo Maia (RJ). O ex-presidente lançou seu filho, Paulo Bornhausen (SC), e o grupo de Maia, com apoio de Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), tenta eleger Abelardo Lupion (PR), um dos líderes da bancada ruralista.

No Senado as mudanças serão pontuais. PT, PMDB e DEM deverão manter Aloizio Mercadante (PT-SP), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Agripino Maia (DEM-RN). No PSDB, haverá disputa entre o líder, Arthur Virgílio (AM), e Álvaro Dias (PR). A escolha será em fevereiro.

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