DEM dissolve diretório no Distrito Federal

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A Executiva Nacional do Democratas dissolveu ontem o diretório regional do partido no Distrito Federal e nomeou o senador Marco Maciel (DEM-PE) como uma espécie de interventor na legenda. A cúpula do partido avaliou que a dissolução seria uma resposta melhor à sociedade do que a formação de uma comissão provisória com integrantes do DEM-DF. Também decidiu que todos os filiados da sigla que ocupem cargos no governo devem deixar seus cargos, sob pena de serem expulsos.

A indicação de Maciel tem o objetivo, além de reestruturar a legenda no Distrito Federal, de marcar posição contra o PT. Os dois partidos foram atingidos pelos escândalos do mensalão. O do PT, em 2005, envolveu ministros de Estado, como o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, apontado como idealizador do pagamento de deputados em troca de apoio no Congresso.

O mensalão do DEM, por sua vez, foi noticiado no fim de 2009 e até hoje está tendo reflexos. O único governador eleito pelo partido em 2006, José Roberto Arruda, foi flagrado e filmado junto com auxiliares recebendo pacotes de dinheiro. Ele se desfiliou do partido antes da expulsão e está preso desde o dia 12. O vice-governador Paulo Octávio desfiliou-se e renunciou ao cargo na terça-feira. Seu nome também aparece nas denúncias de corrupção.

O partido pretende mostrar que, no seu escândalo, agiu rápido e não deu espaço aos suspeitos, ao contrário do PT, cujos principais envolvidos ainda permanecem com grande influência no partido.

"Queríamos partir do zero e para isso é melhor não ter ninguém daqui", afirmou o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), que disse ter optado por Maciel em razão de sua "experiência" e "referência nacional de moralidade pública". "O partido passou por essa crise e respondeu de forma adequada. Essa é a grande diferença do nosso partido", disse Maia.

Alguns integrantes do DEM no Distrito Federal eram contrários à autodissolução. Caso do secretário de Transportes, Alberto Fraga. "Posso não concordar, mas cumpro ordens e vou cumprir a determinação", disse. Ele defendia uma solução alternativa, como a formação de uma comissão provisória. Já o presidente regional interino do DEM-DF, Osório Adriano, disse ser favorável à decisão. "Não podemos ter a cada dia uma acusação". Segundo Marco Maciel, não há prazo para a composição do novo diretório, mas ele deve ser formado até o início do processo eleitoral, em julho.

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