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Moradores e comerciantes de Santa Cecília (centro de São Paulo) traçaram uma estratégia para expulsar os moradores de rua do bairro: farão uma ofensiva para que ONGs e restaurantes parem de doar comida a pedintes.

Segundo o último censo de sem-teto da cidade, divulgado ontem, há 1.334 moradores de rua e frequentadores de albergues nesse distrito.

Quem vive na região diz que esse número aumenta a cada dia devido à repressão ao tráfico na área da cracolândia, na mesma região.

A restrição de doações aos sem-teto foi planejada em reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) na última semana, que foi acompanhada pela Folha.
Entre os participantes da reunião, estavam representantes de moradores, comerciantes, polícia, Subprefeitura da Sé, Guarda Civil e hospital Santa Casa.
Ninguém se manifestou contra a proposta. Uma comerciante disse que jogava desinfetante nos moradores de rua que dormiam na porta de sua loja pela manhã. Houve quem afirmasse que passaria a fazer o mesmo.

"Deveria haver um local que concentrasse todas as instituições que querem doar. Mas não na rua, sem higiene", diz o presidente do Conseg, Jorge Rodrigues.
Para o representante da Santa Casa, Edison Ferreira da Silva, outro problema das doações é que os sem-teto acabam jogando restos de comida e de roupas na rua, o que colabora para entupir os bueiros do bairro.

ABORDAGEM

O conselho iniciará sua estratégia mapeando ONGs, lanchonetes e restaurantes que doam comida.
O segundo passo será procurar os responsáveis de cada lugar para convencê-los a suspender a doação.

O conselho avisará, por fim, que, ao constatar que algum local continua alimentando os moradores de rua, a Vigilância Sanitária será chamada para que interdite estabelecimentos irregulares.
Procurada, a Vigilância adianta que não há problema nenhum em doar comida, desde que a refeição seja servida com higiene. O órgão costuma orientar restaurantes sobre como fazer a doação.

Um sem-teto de 19 anos ouvido pela Folha diz que o plano do Conseg não funcionará. "Se não nos derem comida, vamos começar a roubar", ameaça.
A pós-doutora em saúde pública e em educação pela USP Aparecida Magali Alvarez, que desde 1993 pesquisa moradores de rua, critica o plano de expulsão. "A sociedade deveria se unir para ajudá-los", afirma.

Já o frentista Marcos Magella, que há dez anos trabalha na região, vê a presença dos sem-teto como problema, mas discorda da escolha do Conseg. "O problema mesmo é a droga. Se impedirem o tráfico, os mendigos vão embora", declarou.

Um comentário:

  1. O jeito Serra de governar se espalha feito uma praga. Essas pessoas são um perigo.

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