Silvio Santos ainda vem ai?

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Antes mesmo da chamada era de celebridades começar, Silvio Santos já perguntava "quem quer dinheiro" para seu auditório lotado. E abria a "Porta da Esperança" para desesperados que, além da chance de ganhar uma viagem ou, quem sabe, uma cadeira de rodas, ainda aparecia na televisão. Com seu baú da felicidade, fazia gente se endividar para pagar carnês, alimentando o sonho de um dia aparecer na televisão e, mais incrível ainda, conhecer o Silvio

Agora, na era dos reality shows, é possível conseguir tudo pela televisão: dinheiro, namorada, uma nova casa. Silvio já fez tudo isso com seu "Namoro na TV" e seu "Show do Milhão". Triste obrigar pessoas a pagarem carnês para conseguir a tal felicidade. Não se deve brincar com essas coisas. E ganhar dinheiro explorando o sonho dos outros não parece ético. Ainda mais quando esse sonho tinha pouca chance de ser realizado.

E, se o coitado tivesse sorte e fosse escolhido entre milhões, ainda poderia pagar um mico. Silvio Santos muitas vezes ri das "colegas de auditório" do programa. Na cara delas. Assim como fez, inúmeras vezes, com a criança Maísa.

Mesmo sabendo disso tudo, é difícil não ter algum carinho por Silvio Santos. E alguma pena agora quando, depois de um rombo no banco PanAmericano, ele colocou o tal Baú da Felicidade e o próprio SBT como garantia. Silvio Santos quebrou. Um lado nosso pensa: bem feito! O outro fica com pena.

"Tadinho, tão velhinho", comentou um amigo, como se falasse de um tio meio gagá. Faz sentido. Afinal, a geração adulta de hoje cresceu vendo o Silvio Santos na televisão. Ele parece, de fato, alguém de nossas famílias. Tanto que até hoje somos capazes de usar expressões como "vou pedir para a porta da esperança" ou "só se eu for no 'Namoro na TV'".

Era sinistro ver aquela porta se abrir e ouvir o Silvio Santos falando: "e vai abrir agora a porta da esperança!" Pensar que víamos aquilo quando crianças, que assistíamos aos miseráveis chorando quando crianças é meio bizarro. Como nossos pais deixavam? Depois, adolescentes, viciamos em show do milhão. E depois em "Casa dos Artistas", o programa pai dos reality shows no Brasil.

Silvio parece mesmo um tio meio louco e com uma ética esquisita. E a audiência se divide. Muitos sentem pena desse tio que sempre foi tão legal com as pessoas. E mandam cartas para o SBT oferecendo suas pequenas economias para Silvio. Dizem que ele ajudava os pobres. Não percebem que, na verdade, eram explorados.

Os mais críticos olham tudo isso com uma mistura de raiva e pena, como se ficássemos sabendo que aquele tio com quem não íamos muito com a cara se ferrou na vida. Poucos sentem, de fato, sentimento de vingança. "Explorou a miséria, bem feito!". Mas, como sabemos, é difícil sentir raiva de alguém da família... Ainda mais de um tio "já velhinho". "Tadinho".

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