Ministro do STJ manda soltar promotora do DF que se fingia de doida

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O ministro Napoleão Maia, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou ontem a soltura da promotora de Justiça Deborah Guerner, e do marido dela, o empresário Jorge Guerner. Investigados por suspeita de envolvimento num esquema de corrupção no Distrito Federal que ficou conhecido como "mensalão do DEM", os dois estavam presos desde o dia 20 por ordem do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª. Região.

O TRF tinha concluído que os dois tentaram atrapalhar as investigações e que havia o risco de fuga. Reportagem publicada na quarta-feira pelo Estado revelou documentos e imagens que comprovam que a promotora Deborah Guerner teve a ajuda de um psiquiatra para simular um distúrbio mental e atrapalhar as investigações. Procurado pela reportagem, o psiquiatra Luis Altenfelder Silva Filho negou ter orientado a promotora para simular doença mental.

Deborah e Jorge Guerner estavam presos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A prisão preventiva tinha sido pedida pelo Ministério Público, que acusou o casal de forjar provas para simular uma incapacidade mental. Os dois foram presos em casa logo após retornarem de uma viagem pela Itália.

De acordo com a defesa do casal, ao conceder uma liminar determinando a soltura do casal, o ministro Napoleão Maia concluiu que eles nunca estiveram impedidos de sair do País e que, se houvesse falsidade nos atestados, isso não influenciaria na perícia oficial. Segundo o ministro, a prisão foi decretada de forma antecipada, o que não está de acordo com a proteção que o sistema jurídico garante ao direito de ir e vir.

Ensaio. "Posso falar eufórica?", indagou Deborah durante um dos treinamentos para ser reprovada no exame de sanidade mental. "Pode. Muito excitada, eufórica e com o pavio curto", disse o médico. "Não tem erro, e qualquer residente de primeiro ano de psiquiatria, ouvindo você, vai falar assim: "essa menina é bipolar"", afirmou o psiquiatra.

"Sempre confiei no Judiciário. Se ele eventualmente é levado a erro, ele se corrige. Os direitos fundamentais foram respeitados", disse o advogado do casal Guerner, Pedro Paulo de Medeiros.

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