Brasil quer que G-8 vincule etanol a clima

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O Brasil e as principais nações industrializadas podem mostrar diferentes abordagens sobre o etanol, na reunião do G-8 esta semana na Alemanha. O interesse do Brasil é vincular mais o etanol ao combate a mudanças climáticas e não só à eficiência energética. O país defenderá maior utilização de biocombustíveis como uma das principais alternativas para limitar emissões de efeito-estufa e para diversificar a matriz energética mundial, informou o negociador brasileiro, o embaixador Everton Vargas.

No G-8, no entanto, a tendência é ver o etanol preferencialmente no contexto da eficiência energética no setor de transportes, segundo uma fonte alemã ouvida pelo Valor. Num esboço de comunicado que ainda estava em negociação, o G-8 promete evitar "possível efeito negativo no desenvolvimento do biocombustível", particularmente nos países em desenvolvimento, "afim de prevenir concorrência entre diferentes formas de uso da terra, e promover padrões de sustentabilidade no cultivo de biomassa".

Nesse esboço de comunicado o G-8, sem a participação dos emergentes convidados, destaca que hoje existem 600 milhões de veículos no mundo, e que esse número deve dobrar até 2020. Assim, os países do G-8 se comprometeriam em melhorar em 20% a eficiência energética nos transportes até 2020 em comparação a 2005.

Para isso, precisam aumentar a parte de combustíveis alternativos, de forma que estes representem 15% do consumo total dentro de 13 anos. Mas a Alemanha não desejava que fosse feita menção específica ao etanol porque a indústria automobilística do país não demonstra entusiasmo pelo produto. Os EUA e a própria União Européia, por sua vez, continuam mantendo alta tarifas na entrada do produto.

A presidência alemã terá também uma declaração conjunta com o G-5, que reúne Brasil, China, Índia, México e África do Sul. O texto terá alto nível de generalidades em uma página e meia.

O Brasil insiste ainda no vínculo entre clima e desenvolvimento, aponta o chefe da Sub-secretária-Geral Política do Itamaraty, Everton Vargas, que atua como "sherpa", ou representante pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a preparação ao G-8. O termo "sherpa" é uma referência aos carregadores do Himalaia que ajudam os alpinistas a chegar ao topo das montanhas.

"Temos que limitar emissões sem sacrificar o desenvolvimento e sem sacrificar a competitividade do país. E para isso, precisamos de tecnologias de cooperação tecnológica", afirmou. Ou seja, o Brasil está disposto a trabalhar na redução de emissões, mas levando em conta as assimetrias internacionais.

O professor Roberto Schaeffer, especialista brasileiro que participou de estudo encomendado pela Alemanha destinado ao G-8, nota que o Brasil, ao chamar a atenção para o etanol, pode demonstrar que já estaria fazendo a sua parte reduzindo emissões voluntariamente, pela substituição de gasolina pelo álcool. Além disso, o país mantém a pressão contra barreiras protecionistas que penalizam a exportação do produto para os EUA e Europa.

Na área de eficiência energética, Schaeffer considera que alguns setores industriais no Brasil poderiam assumir voluntariamente compromissos, na medida em que competem internacionalmente, como o siderúrgico. Ao contrário da visão do governo, o analista considera que a eficiência energética é cada vez menos questão de transferência de tecnologia e mais de vontade política.

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