Petrobras vai explorar petróleo na Índia

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A Petrobrás assina hoje um acordo com a Oil and Natural Gás Corporation (ONGC) que permitirá a exploração pela estatal brasileira de três blocos de petróleo na Índia. O contrato reforça a estratégia de inserção da companhia na Ásia. Pelo acordo, segundo o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, a companhia indiana vai explorar um bloco petrolífero da Bacia de Campos (RJ), além de outros dois, no Norte e no Sul do País. A iniciativa faz parte de um conjunto de compromissos entre os governos e as empresas do Brasil e da Índia que marcarão esta segunda visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia em apenas três anos.

Lula desembarcou ontem em Nova Délhi disposto, na vertente bilateral de sua visita, a impulsionar os negócios e a dar fundamento à meta de elevar o comércio entre os dois países de US$ 2,4 bilhões, em 2006, para US$ 10 bilhões, em 2010. Hoje, discursará em dois eventos que arrastaram uma missão de mais de 100 empresas brasileiras a Nova Délhi. "Se levarmos em conta os tamanhos da Índia e do Brasil e o potencial de crescimento dos dois países, penso que é possível essa meta de US$ 10 bilhões ser alcançada", afirmou Lula, antes de seguir para o jantar oferecido pelo primeiro-ministro Manmohan Singh, em sua residência. "Sobretudo, se despertarmos nos empresários indianos e brasileiros a idéia de que a distância não pode ser um problema. Temos potencial e dinâmica econômicos. Estou convencido que parcerias podem ser formadas."

CARROCERIAS

Lula deixará o país amanhã com um acervo de pelo menos quatro acordos de governo a governo - de facilitação aduaneira, de uso de imagens de satélites indianos, de cooperação em biocombustíveis e na área audiovisual. Além da parceria Petrobrás-ONGC, também levará consigo o relato do início da operação, no fim de 2007, de uma das duas montadoras de carrocerias de ônibus que a Marcopolo tocará na Índia em parceria com a Tata - conglomerado que responde por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) indiano. A outra montadora começará a funcionar em 2008.

Segundo Gabrielli, o acordo entre as petroleiras permitirá à companhia brasileira adentrar em uma "nova fronteira". Por enquanto, a empresa não fala nos investimentos, que serão calculados ao final de trabalhos técnicos que se estenderão nos próximos seis a sete anos. "É uma longa gravidez", brincou.

A Marcopolo tampouco fala em cifras. Mas deixa clara sua estratégia de atingir, em 2013, uma produção anual de 25 mil ônibus adaptados às precárias condições de tráfego nas cidades indianas e em boa parte da Ásia - e bem mais baratos. Segundo o vice-presidente da Marcopolo, José Antonio Martins, os modelos serão bem mais simples que aqueles que circulam no Brasil, mas com respeito a um critério de qualidade imposto pela empresa brasileira. O custo da produção tenderá a despencar. A hora trabalhada na Índia vale de US$ 0,50 a US$ 1. No Brasil, de US$ 5 a US$ 6. "Se formos atacados pela China, no futuro, podemos reagir com essa produção indiana", afirmou.

Negociado ao longo dos últimos cinco anos, o acordo Marcopolo-Tata prevê que a companhia indiana não poderá explorar mercados onde a brasileira mantém fábricas - Brasil, México, Colômbia e Rússia. Para entrar naqueles onde o produto da empresa brasileira já circula, terá de negociar. Em contrapartida, 100% das peças usadas terão origem indiana. Embora não esteja previsto nenhum novo acordo da Embraer com empresas indianas, há possibilidade de novas encomendas em futuro próximo. Amanhã, o presidente da Paramount Airways, M. Thiagarajan, terá audiência com o presidente Lula.

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