Investimento no Brasil bate recorde e alcança US$ 33,4 bi

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Os investimentos estrangeiros diretos (IED) recebidos pelo Brasil em 2007 já é recorde em comparação com anos anteriores. Segundo anunciou ontem o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, incluindo os primeiros 28 dias de novembro, ingressaram no país, desde janeiro, US$ 33,4 bilhões nessa modalidade. Medido até outubro em US$ 19,09 bilhões, o montante de recursos externos destinado à compra de ações de empresas brasileiras em bolsas de valores este ano também já é o mais alto da história.

As cifras referem-se ao fluxo líquido, ou seja, já descontam o retorno de investimentos aos países de origem em cada modalidade. No caso dos investimentos diretos, a expectativa do BC é de que o valor ultrapasse US$ 35 bilhões até final de dezembro. Até então, o recorde era o do ano 2000, quando os estrangeiros investiram liquidamente US$ 32,779 bilhões diretamente em atividades empresariais, em boa medida atraídos pelas privatizações.

Sozinhas, as privatizações responderam, naquele ano, por mais de US$ 7 bilhões do total. Nas estatísticas de 2007, não há influência de qualquer fator extraordinário como esse. O maior interesse dos estrangeiros em fazer investimentos de risco e de longa maturação no Brasil deve-se exclusivamente à melhora continuada de fundamentos macroeconômicos e das boas perspectivas para a evolução da economia brasileira nos próximos anos, acredita Altamir Lopes. Isso explica também, na sua opinião, a maior demanda dos estrangeiros por ações.

Só em outubro, essa demanda respondeu pela entrada líquida de US$ 4,366 bilhões, maior valor registrado para um único mês desde o início da série histórica, apurada pelo BC desde 1969, no caso dessa modalidade. O BC não chegou a fornecer projeção para os investimentos externos em ações até final de 2007. Mas só o que foi registrado de janeiro a outubro, US$ 19,094 bilhões, já supera o fluxo de todo o ano de 2006 (US$ 7,716 bilhões), até então o maior valor anual de toda a série.

Os investimentos diretos, cuja série é pesquisada desde 1947, foram de US$ 3,188 bilhões em outubro. Embora não seja recorde para um único mês, a cifra superou muito a de outubro de 2006, que ficou em US$ 1,722 bilhão. Para novembro, o BC espera entrada líquida de outros US$ 2,5 bilhões, dos quais US$ 2,2 bilhões já confirmados até dia 28.

No acumulado de dez meses, esses investimentos estrangeiros chegaram a US$ 31,2 bilhões, mais que o dobro do verificado em igual período de 2006 (US$ 13,628 bilhões). Desse total, US$ 22,54 bilhões foram investidos como participação direta no capital de empresas e US$ 8,66 bilhões na forma de empréstimos intercompanhias. Como são repasses de matrizes estrangeiras para filiais no Brasil, esses empréstimos não são classificados pelo BC como operações de crédito e sim como investimento direto, já que, em caso de dificuldade de pagamento, a dívida normalmente não é cobrada pela matriz.

Como em anos anteriores, os IEDs não estão se concentrando num único setor da economia. Pelo menos é o que indicam os ingressos para participações no capital de empresas de janeiro a outubro, cujo valor bruto (sem descontar retornos) chegou a US$ 28,324 bilhões. Analisando uma amostra de US$ 27,7 bilhões, o BC percebeu que 39,7% foram para a indústria, com destaque para as empresas de metalurgia (15,8%). O setor de comércio e serviços ficou com 45,6%. Os serviços financeiros especificamente receberam uma fatia de 13,8%. O setor primário foi destino de 14,7% dos investimentos do período, com destaque para as atividades de extração mineral, que levaram 10,9% da mesma base.

O interesse por diferentes atividades também é percebido quando se olham os ingressos de empréstimos intercompanhias, que em termos brutos somaram US$ 13,648 bilhões de janeiro a outubro. A amostra analisada, nesse caso, foi de US$ 12,676 bilhões. Desse montante, 60% ficaram com a indústria, com destaque para metalurgia (28,4%) e produtos químicos (10,3%). O setor de comércio e serviços recebeu 32,6%, sendo que o comércio, sozinho, ficou com 10,6% do valor total da amostra. Para o setor primário, foram destinados 7,4%, sendo 4% da mesma base de cálculo para extração mineral e 2,9% para atividades relacionadas e petróleo e gás

1 Opinaram:

Blogueiro disse...

Tudo graças a FHC?

Não?

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