MP acusa Tereza Jucá de desviar recursos públicos para campanhas

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Verba de prefeitura seria usada na contratação de cabos eleitorais

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-GO), e sua ex-mulher Tereza Jucá, ex-prefeita de Boa Vista, estão às voltas com novas denúncias de irregularidades. Em ação ajuizada na última sexta-feira, o Ministério Público de Roraima acusa Tereza de usar a Cooperativa Roraimense de Serviços (Cooserv) para contratar e pagar com dinheiro público militantes das campanhas eleitorais do ex-marido e de Ottomar Pinto, entre outros aliados, em 2002. Jucá se elegeu senador e Ottomar, governador.

Na ação de improbidade administrativa, o promotor Isaías Montanari Junior pede a suspensão dos direitos políticos da ex-prefeita por dez anos. O promotor sugere ainda a perda de função pública de Tereza e do ex-presidente da Cooserv Ronaldo Mauro Costa Paiva, também denunciado pelas mesmas irregularidades imputadas à ex-prefeita.

Na ação, o promotor diz que a "a ex-prefeita Tereza Jucá e o sr. Ronaldo Paiva utilizavam a contratação da Cooserv pelo município de Boa Vista como forma de desviar dinheiro público e mão de obra custeada pelo erário municipal para as campanhas políticas de seu grupo político". Segundo ele, os servidores eram contratados para as secretarias de Educação, Saúde e Administração por meio da Cooserv e, de lá, levados para atuar nas campanhas de Romero Jucá, Ottomar e outros políticos.

Prefeitura transferiu R$29 milhões para cooperativa

Segundo a ação, os servidores que não acatavam ordens para atuar nas campanhas estavam sujeitos a demissão. Entre as provas do uso político da máquina da prefeitura, o promotor cita o depoimento de Lucimere Dominici Pereira. Ela contou conta que, depois de contratado pela Cooserv, suspendeu suas atividades na prefeitura de Boa Vista para "trabalhar apenas na campanha do senador Romero Jucá, marido da ex-prefeita, e do candidato Ottomar de Souza Pinto, e de seu grupo político". Lucimere afirmou ainda que ela e os demais militantes recebiam salários da Cooserv.

Ao todo, a prefeitura transferiu R$29,1 milhões para a Cooserv em 2002. A denúncia não indica o número exato de servidores contratados para a militância política. Montanari disse que não incluiu o senador na lista denunciados porque as suspeitas que recaem sobre o senador são de natureza eleitoral:

- Como ele é senador, a competência para a apuração é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - afirmou Montanari.

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