PF prende deputado e ex-governador de Alagoas

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Quadrilha criou servidores fantasmas que recebiam restituição do IR; nove parlamentares tiveram bens bloqueados

A Polícia Federal desbaratou ontem uma organização criminosa que atuava na Assembléia Legislativa de Alagoas e desviou, segundo a PF, R$200 milhões nos últimos cinco anos no Imposto de Renda. Entre os 39 presos da Operação Taturana, estão o ex-governador Manoel Gomes de Barros (PTB), o deputado estadual Cícero Ferro (PMN) e o ex-comandante da PM, Acírio Nascimento. A operação mobilizou 370 policiais, que cumpriram 79 mandados de busca e apreensão em Alagoas, São Paulo e Pernambuco.

O esquema envolvia cerca de 1.200 funcionários da Assembléia, todos fantasmas ou laranjas, com salários entre R$2.500 e R$6.000 por mês. Eles chegavam a receber restituições do Imposto de Renda.

- Havia ainda empréstimos consignados, ou seja, o fantasma fazia esse empréstimo - disse o superintendente da PF, José Pinto de Luna.

Ao todo, nove deputados estaduais - um terço da Assembléia, que tem 27 deputados - estão sendo investigados, incluindo o presidente da Casa, Antônio Albuquerque (DEM); sete não tiveram seus nomes divulgados pela polícia. Todos tiveram bens e contas bancárias bloqueados. A restituição do Imposto de Renda na Assembléia para todos os servidores foi suspensa, por determinação da Receita Federal. Segundo a polícia, o esquema envolvia ainda funcionários públicos e prefeitos, incluídos na folha de pagamento da Assembléia.

Receita Federal e BC participaram

A quadrilha se apropriava de recursos da Assembléia por meio de sua folha de pagamento, com a inclusão dos fantasmas e laranjas. As investigações duraram um ano e meio e envolveram a Receita Federal, Banco Central e Ministério Público Federal.

- As investigações começaram em Alagoas. Depois, foram transferidas para o Tribunal Regional da 5ª Região porque existiam pessoas com foro privilegiado - explicou o procurador chefe do Ministério Público Federal em Alagoas, Gino Sérvio Malta.

As prisões são temporárias, com duração de cinco dias, mas podem ser renovadas pela desembargadora Amanda Lucena, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (Recife).

A PF expediu 40 mandados de prisão em Alagoas. Até o início da noite haviam sido cumpridos 39, incluindo dois flagrantes, por porte ilegal de arma: do ex-governador Manoel Gomes de Barros e do deputado Cícero Ferro.

Na casa de Ferro, havia um verdadeiro arsenal: 27 armas, todas sem registro ou com numeração raspada.

- Porte de arma ilegal é crime inafiançável - afirmou o superintendente da PF, sem dar prazos para a saída dos presos em flagrante.

Mano, como é conhecido o ex-governador, tinha uma metralhadora dentro de casa, de uso exclusivo da Polícia Militar.

- Ele tinha essa prerrogativa, é ex-governador, tem a segurança da PM -, disse o advogado do ex-governador, José Fragoso.

Um agente da PF também está preso, acusado de repassar informações à quadrilha. Os presos foram levados à sede da PF e, depois, transferidos para a Academia da Polícia Militar.

O presidente da assembléia chegou a ter o nome incluído entre os presos, mas a PF de Brasília disse que houve erro de informação. Uma arma, encontrada na fazenda do parlamentar, estava com a numeração raspada. Albuquerque disse que não pertencia a ele. À tarde, não houve quórum para a sessão da Assembléia. Nem o presidente compareceu.


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