Evolução meteórica

| |


O filho e suplente do senador Edison Lobão, que assume hoje o Ministério de Minas e Energia, também foi investigado pela CPI que apurou denúncias de irregularidades no orçamento da União. Analisando a declaração de renda de Edison Lobão Filho, de 1989 a 1992, os deputados identificaram um crescimento atípico de bens em quatro anos. Além disso, mesmo morando em Brasília, o filho de Lobão tinha cinco fontes de rendimentos ligados ao governo do Maranhão, na época comandado pelo pai.

Conforme o relatório da CPI do Orçamento, a relação de bens apresentada por Lobão Filho e relativa a 1989 era pouco extensa, resumida a um automóvel, participação no capital de uma empresa, uma lancha, uma moto e uma conta bancária na qual havia o equivalente a US$ 1,8 mil. “Já na declaração do ano-base de 1992 de Edison Lobão Filho há um considerável aumento de bens, dessa vez com 19 itens”, diz o relatório da comissão. O documento relata que, naquela época, Lobão Filho já tinha participação em seis empresas, inclusive em uma emissora de rádio em Imperatriz. Além disso, ele tinha duas salas e duas garagens em Brasília, uma loja e um terreno em São Luís.

Na ocasião, a CPI sugeriu que o fato relacionado ao filho de Lobão deveria ser mais aprofundado, já que as informações que os parlamentares receberam sobre a evolução patrimonial não eram suficientes para se tirar conclusões. A CPI também investigou Edison Lobão, durante o período em que ele foi governador do Maranhão, conforme a edição de ontem do Correio. O senador afirmou que todas as denúncias eram requentadas e que o Ministério Público “achou tudo um descalabro”.

A CPI também investigou outras fontes de renda de Edison Lobão Filho, constatando que ,em 1992, ele declarou ter recebido rendimentos do governo do Maranhão, da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), da Docas, do Centro Tecnológico do Maranhão (Cetema) e de outra empresa estatal.

À comissão, o senador justificou que os ganhos de seu filho eram todos os rendimentos declarados e perfeitamente justificáveis. “Meu filho é meu secretário particular, portanto, não é do governo. Ele é conselheiro da Cemar e da Cetema. Esse é um procedimento que se usa muito no estado. Ele recebe como conselheiro de um, um jeton, e como conselheiro de outro, outro jeton, além do salário de secretário de estado, de secretário particular”, justificou Lobão à CPI.

O senador toma posse hoje, às 16h30, no Ministério de Mianas e Energia, sob fogo cruzado, depois de ter sido escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendendo a indicação do senador José Sarney (PMDB-AP), seu padrinho político. Ontem, Edison Lobão não quis se pronunciar sobre as investigações da CPI do Orçamento em torno de seu filho e dele próprio. “Não vou falar mais sobre isso”, disse o parlamentar, que, ao ir para um ministério deixa sua vaga para o filho e suplente.

0 Opinaram:

Postar um comentário