A vez do “núcleo central”

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A fase de depoimentos colhidos no processo do mensalão chega esta semana ao chamado “núcleo central” do esquema de corrupção que abalou o governo do presidente Lula em 2005. Serão ouvidos pela Justiça Federal de São Paulo o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário-geral do partido Sílvio Pereira. Ao lado do ex-presidente nacional da legenda José Genoino, interrogado em dezembro, os três são apontados como mentores da mesada paga a parlamentares da base aliada do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Delúbio Soares será o primeiro a prestar depoimento, na quarta-feira. No dia seguinte, Dirceu e Sílvio Pereira darão suas versões aos juízes federais. As sessões estão marcadas para as 14h30. Para acelerar o andamento da ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso, delegou à Justiça de primeira instância a missão de interrogar os envolvidos, etapa em que os réus podem apresentar suas defesas para contestar as acusações feitas ao Supremo pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em agosto.

Apontado pelo Ministério Público como cérebro do esquema, José Dirceu retornou ontem à São Paulo das férias que tirou numa praia pernambucana depois de passar por uma cirurgia de implante de 6.710 fios de cabelo. Nos próximos dias, ele se encontrará com seu advogado, José Luiz Oliveira Lima, para tratar dos detalhes finais de seu depoimento. Segundo Oliveira, a defesa de Dirceu se assemelhará à linha de esclarecimentos que o ex-ministro prestou à CPI dos Correios, em 2005. “Não há nada de novo, já que ele (Dirceu) prestou depoimento duas vezes no Conselho de Ética e rebateu ponto-a-ponto as acusações, que são infundadas”, adianta o advogado.

Na denúncia recebida pelo Supremo, Dirceu figura como réu em nove acusações de corrupção ativa e uma de formação de quadrilha. Pelos mesmos crimes responde Delúbio, cujo depoimento é aguardado com expectativa. Em dezembro, os cinco deputados que respondem ao processo — Genoino, João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Paulo Rocha (PT-PA) — apontaram o ex-tesoureiro como figura central nas transações de caixa 2 do PT e no acordo com o empresário Marcos Valério de Souza para distribuição de mesadas a deputados.

Segundo a agenda do Supremo, outros depoimentos de peças-chave do processo estão marcados para as próximas semanas. No dia 1º de fevereiro, Marcos Valério será ouvido em Belo Horizonte. Apontado como operador do mensalão, ele responde em múltiplas acusações pelos crimes de formação de quadrilha, peculato (como beneficiário de dinheiro desviado dos cofres públicos), corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Autor das denúncias do esquema de pagamento de propinas, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, tem encontro marcado com a Justiça no dia 12 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Os advogados de Sílvio Pereira e de Delúbio Soares não foram encontrados pela reportagem.

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