Investimento estrangeiro direto dobra no país em 2007

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O fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil teve a maior alta percentual no mundo em 2007, com exceção de uma situação excepcional ocorrida na Holanda, segundo dados da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). A entrada de IED no Brasil cresceu 99,3%, pulando de US$ 18,8 bilhões em 2006 para US$ 37,4 bilhões. A Unctad atribui o crescimento sobretudo a investimentos em recursos naturais, estimulados pela alta dos preços das matérias-primas.

O fluxo global de IED é estimado em US$ 1,5 trilhão em 2007, superando o recorde anterior do ano 2000. Abundância de liquidez e fortes lucros das empresas impulsionaram o valor de fusões e aquisições até a metade de 2007, quando explodiu a crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos.

Apesar de projeções econômicas pouco favoráveis para 2008 e potencial de endurecimento nas regras para investimentos estrangeiros em recursos naturais, a Unctad estima que a alta demanda por commodities globalmente vai continuar impulsionando os investimentos estrangeiros diretos, inclusive a partir de fundos soberanos árabes e asiáticos com gigantescas reservas de dólares.

Houve alta de IED no ano passado no mundo todo. O fluxo para os países ricos alcançou US$ 1 trilhão (alta de 16,8%). A União Européia atraiu quase 40% do total mundial. A situação excepcional ocorreu na Holanda: a alta foi de 2.285%, de US$ 4,4 bilhões para US$ 104 bilhões (2.285%), refletindo uma única operação: a aquisição do banco ABN Amro pelo consórcio formado pelo RBS, Fortis e Santander.

Na América Latina e Caribe, o fluxo cresceu 50% e bateu o recorde de US$ 126 bilhões. O volume para o México foi quase idêntico ao do Brasil, inclusive na alta percentual. O mais importante na região é que a expansão de IED ocorreu através de "greenfield investments" (novos investimentos e expansão) e não de fusões e aquisições.

Na Ásia, o fluxo alcançou US$ 224 bilhões. A China continuou a ser o país emergente que mais captou IED em volume, mas o total de US$ 4 67,3 bilhões representa queda de 3,1% comparado a 2006.

Nos países do Leste Europeu, as chamadas economias em transição, o crescimento foi de 41%, para novo recorde de US$ 98 bilhões. Foi o sétimo ano consecutivo em que se dobrou o fluxo para a região, inclusive ainda através de privatizações.

Com a queda do dólar, investidores europeus e asiáticos estão mais ativos. E sempre que fundos de investimentos passam a controlar mais de 10% de uma empresa, essa aplicação passa de "portfólio em ações" para IED, o que explica em parte a elevação nessa categoria. As condições para 2008 são de prudência, por causa do cenário internacional, mas a Unctad acredita que a desaceleração no fluxo de investimentos estrangeiros será pequena.


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