Lula cuida do próprio jardim

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Apesar da intensa movimentação de tucanos e petistas em relação às eleições para prefeito de São Paulo, é certo que a definição dos dois partidos deve ficar para o mais perto possível do fim de março.

O Democratas armou barraca na cidade para mostrar que o prefeito Gilberto Kassab tem consistência dentro do partido. Mas não espera desde já arrancar um compromisso com o PSDB, a cada dia mais difícil.

O PT espera de Lula um empurrão na candidatura de Marta Suplicy que o presidente talvez não tenha como negar, apesar de ter dito a ministros que gostaria de "ficar longe" das eleições de outubro, pelo menos no que se refere ao primeiro turno.

A eventual aliança entre PSDB e DEM é difícil por motivos diversos. Um deles é que Geraldo Alckmin já foi longe demais para recuar agora em troca da promessa de ser o candidato tucano ao governo do Estado, em 2010.

Essa é a fórmula dos sonhos de Fernando Henrique Cardoso, cujo anúncio causa mais problemas que ajuda o governador José Serra, o seu beneficiário. O que Serra menos precisa, no momento, é passar a impressão de quem quer atropelar, no processo, o governador mineiro Aécio Neves.

Ainda do lado tucano, pesa o argumento segundo o qual o PSDB é um partido vivo na capital, cuja prefeitura disputou em todas as eleições desde a sua fundação, em 1988. Com nomes do quilate de Serra (derrotado em 1988 e 1996) e Geraldo Alckmin, derrotado na eleição que Marta venceu em 2000.

Tanto para o PSDB quanto para o PT, "partido vivo" na capital, entre outras coisas, significa a reeleição da dúzia de vereadores tucanos e petistas na Câmara Municipal. Um objetivo quase inalcançável, na realidade atual das duas legendas, sem Geraldo Alckmin e Marta Suplicy na disputa.

Se Alckmin foi longe demais para recuar, Marta sempre entendeu que poderia ser levada à disputa municipal por uma questão partidária, assim como ocorreu com José Serra em 2004, em relação ao PSDB.

Eleição de SP expõe as aflições de PT e PSDB

Até dezembro do ano passado a ministra do Turismo de Lula achava que estava entrando numa disputa perdida. Mas uma pesquisa Datafolha, realizada naquele mês, revelou uma queda de sete pontos percentuais - em relação à pesquisa de agosto - na rejeição a seu nome e bastou para mudar o estado de espírito da ex-prefeita em relação à disputa.

O que o PT agora quer é o apoio formal de Lula à candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo. E o presidente, até agora, não demonstrou nenhuma disposição seja para estimular ou para impedir a candidatura de sua ministra.

No comando de uma coalizão de 12 partidos que o apóiam no Congresso, Lula de fato tem dificuldades para apoiar este ou aquele aliado, no primeiro turno da eleição. Mas, no PT entende-se que isso é mais ou menos verdadeiro dependendo do candidato aliado em questão.

Nos bastidores petistas ninguém desconhece o empenho do presidente da República em relação ao ministro da Previdência e Assistência Social, Luiz Marinho, que é pré-candidato a prefeito de São Bernardo do Campo, o berço do petismo.

As famílias de Lula e de Marinho passaram juntas a semana do Natal e os primeiros dias de 2008. Juntas iriam para a ilha de Fernando de Noronha, viagem da qual Lula desistiu à última hora. Marinho foi com a mulher Nilza e os amigos.

A longa tertúlia entre os Silva e os Marinho deu margem a todo tipo de especulação. Entre elas a de que Lula, para se candidatar em 2014, precisa em 2010 de um candidato que, se for eleito, esteja disposto a abrir mão da reeleição.

Neste caso, nenhum outro nome do PT seria melhor que o de Marinho, aliado e protegido de Lula desde o movimento sindical. A idéia já foi sugerida ao ministro por amigos comuns, mas o que está efetivamente em consideração é São Bernardo, por enquanto, um território sob controle tucano por meio do PSB.

Em 2004, o candidato do PT foi Vicentinho. Lula enviou uma carta de apoio e foi questionado na Justiça Eleitoral.

Marinho já acertou o apoio de uma dezena de partidos. E conta com Lula para atrair outros aliados - o PTB do cantor Frank Aguiar, que começou a carreira cantando e vendendo fitas cassete em assembléias da CUT, ameaça lançar candidato próprio.

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