O queridinho da imprensa

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MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

Alto de página da Folha em 2 de março: "Gabeira é o nome de PV, PSDB e PPS no Rio de Janeiro".

Outro alto, em 4 de março: "Gabeira aceita concorrer no Rio, mas impõe condições".

Hoje, também no espaço mais destacado da página: "Gabeira promete capitalismo, se alia ao PSDB e acena ao PT".

Sempre na edição São Paulo.

Não me lembro de o jornal ter dado recentemente alto de página para as iniciativas de outros pré-candidatos à Prefeitura do Rio, como Marcelo Crivella (PRB), Solange Amaral (DEM), Alessandro Molon (PT), Chico Alencar (PSOL), Carlos Lessa (PSB) e Jandira Feghali (PC do B).

O lançamento do deputado do PV por uma frente é mesmo um fato político importante. Mas a Folha dá a impressão de se transformar em cronista pouco crítico de um candidato em especial.

Exagero?

A reportagem de hoje não citou nenhum adversário de Gabeira. Nenhum mesmo. Contra quem ele concorrerá? Essa informação, elementar, foi omitida.

Conhecê-la é um direito dos leitores.

Quando o deputado disse que "as nossas divergências são secundárias", sobre o PT, não seria o caso de publicar um quadro com as declarações de Gabeira à época do mensalão e de Severino Cavalcanti?

Pior: defensor da ética na política e na administração pública, Gabeira posou ao lado do ex-governador Marcello Alencar.

Era obrigação da Folha contar se o antigo governante notabilizou-se pelos bons costumes à frente do Estado do Rio de Janeiro.

Sobre Marcello Alencar e seus filhos influentes, nenhuma palavra.

Gabeira até poucas semanas atrás era colunista da Folha.

Foi repórter do jornal.

Há inegável interesse jornalístico em noticiar sua entrada na corrida pela prefeitura.

Mas opinião, legítima, deve ser manifestada nos espaços próprios, de editoriais, artigos de colunistas e textos de convidados. Não no espaço noticioso.

A reportagem de hoje não emite posição formal sobre o pré-candidato, mas o trata com uma condescendência estranha aos princípios editoriais da Folha condensados no Manual da Redação.

O jornal faria bem se começasse a tratar Gabeira com o senso crítico que dispensa a outros parlamentares e candidatos.

Para registro: no jornalismo carioca, o tom de simpatia por Gabeira é o mesmo ou ainda maior.

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