Fórum completa vinte anos pensando os rumos do País

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Parafraseando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "nunca houve, na história desse País" um encontro de debates e de idéias pluralistas tão extenso e duradouro. Em 20 anos de história, o Fórum Nacional, realizado pelo ex-ministro do Planejamento e atual superintendente-geral do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), João Paulo dos Reis Velloso, procurou sempre reunir as cabeças pensantes mais importantes do País nesse período, desde economistas, ministros, líderes de governo e sindicais, e até presidentes.

A edição deste ano – que começa hoje e se estende até a próxima sexta-feira, com palestras o dia inteiro na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – tem como enfoque principal "Brasil: um novo tempo no mundo dos trópicos - 200 anos de independência econômica e 20 anos de Fórum Nacional, sob o signo da incerteza". O tema, na verdade, surgiu do livro New world in the tropics (Mundo novo nos trópicos), de Alfred P. Knopf e prefácio de Gilberto Freyre.
Mas Reis Velloso garante que o debate não se concentrará no passado, "a chegada da Família Real ao Brasil é apenas o ponto de partida, o que interessa é o presente e o futuro do País", diz.

O ex-ministro ressalta a lista de convidados. A grande estrela é, sem dúvida, o prêmio Nobel de Economia de 2006, professor Edmund Phelps, que vai palestrar sobre "Brasil - visão de desenvolvimento".

A abertura, no entanto, está nas mãos do presidente Lula, que debaterá os rumos do País com o tema "Para onde vai o Brasil - econômica, social e politicamente".
Entre as personalidades convidadas para o seminário, o ex-ministro cita o colunista do The New York Times, Roger Cohen, o economista Albert Fishlow, da Universidade de Columbia (EUA), embaixadores do Japão e do Brasil, em Portugal, cinco ministros, entre eles Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Guido Mantega, da Fazenda, vários empresários, sociólogos, escritores, e, sobretudo, economistas.

Origens

A origem do seminário, revela Reis Velloso, deu-se durante a crise econômica de 1988. A recessão que assolava o País, com índices de inflação na casa dos 80% ao mês, fez surgir o Fórum. Reis Velloso, no entanto, desconversa: "Não sou o autor da idéia, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) na época, Paulo Guedes, instituição que eu presidia, e o Banco Mundial (Bird) é que foram os responsáveis".

O ex-ministro conta que foi logo seduzido pela possibilidade de poder reunir um grupo de economistas para discutir o Brasil. Porém, imaginou que não poderia haver apenas simpatizantes do governo, o encontro precisava ter uma orientação pluralista. Reis Velloso então bancou, pessoalmente, a vinda do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara na época, Plínio de Arruda Sampaio.
"O Sampaio precisou pedir autorização da bancada do partido. Ele participou do seminário e ainda trouxe o filho, economista, para complementar", relembra.

Edição de livros

Do resultado do primeiro seminário foram produzidos 10 livros, que já discutiam temas como reforma política e nova política industrial. "Todos com capas do pintor holandês Vicent van Gogh", lembra Velloso.
Aliás, a cada edição o seminário edita livros sobre os temas debatidos. Em 20 anos de Fórum, falou-se de tudo um pouco: reforma do Estado, mercado de capitais, propostas concretas para o País, sociedade e governo.

Índice de Desenvolvimento

No encontro deste ano, a novidade é a palestra sobre o Índice de Desenvolvimento Social (IDS). Criado no Brasil, o IDS é muito mais abrangente que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com Velloso, a análise do IDH considera apenas três variáveis, já o IDS ressalta 12 itens nas suas pesquisas: renda; trabalho e emprego; educação e capital humano; saúde e saneamento; e condição de domicílio.

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