“os tios, primos e avós” do PAC

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A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assumiu ontem o título de “mãe” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e cobrou dos ministros, governadores e prefeitos que sejam “os tios, primos e avós” para que ele efetivamente funcione e cumpra seu papel de acabar com “os gargalos existentes no País no setor de infra-estrutura”.

Em uma entrevista de 35 minutos no Programa do Jô, que iria ao ar na madrugada de hoje, exaltou realizações do governo Lula, voltou a negar que tenha sido autora do dossiê contra tucanos, comentou a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e lembrou momentos de sua militância política durante a ditadura militar.

Depois de falar sobre o casamento da filha, Dilma foi questionada, logo no início do programa, se o nascimento de seu segundo “filho”, o PAC, não havia gerado ciúmes dentro do governo. “Em que pese eu ser uma mãe cuidadosa, o PAC tem uma família grande, tios, primos, primas, avós, e todos muito zelosos. Quem são eles? São os ministros, mas também são os governadores e os prefeitos”, respondeu a ministra.

Questionada pelo apresentador se nessa família não havia tios rebeldes, ela voltou a cobrar a responsabilidade dos colegas de Planalto. “É impossível executar um projeto nessas dimensões sem a grande cooperação dos ministros. Quem executa são eles.”

A ministra citou o programa de instalação de banda larga nas escolas, o crescimento da Petrobrás e outras conquistas que atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sobre a saída de Marina Silva do governo, tendo o PAC como um dos motivadores, Dilma disse que a colega tinha prestado um serviço importante para o País. “Ela deixou o governo, mas vai desempenhar um papel importante no Senado”, disse.

A ministra afirmou que a elaboração do levantamento atendeu a um pedido feito em 2005 pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre gastos de dois ministros, de 1995 a 2002. “Naquela época falamos para ele que estávamos fazendo o banco de dados e fizemos isso para passar ao Tribunal de Contas”, explicou.

“Nunca aceitamos e não aceitaremos que fizemos um dossiê, fizemos um banco de dados. Se tiraram informações desse banco de dados, é outra questão”, afirmou.

A ministra, que chegou aos estúdios da Rede Globo com um atraso de duas horas, foi aplaudida quando o programa reproduziu o depoimento no Senado em que ela rebateu o senador José Agripino Maia (DEM-RN), dizendo que, na ditadura, “quem tem coragem fala mentira”.

Alterando questões políticas atuais com relatos da vida pessoal, a ministra lembrou que parou de fumar há 29 anos e que cozinhou com Carlos Lamarca,e enalteceu a figura de Leonel Brizola.

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