Crise no RS aumenta e derruba secretários

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Acossada pelos desdobramentos da CPI que investiga desvio de recursos no Detran gaúcho e pela divulgação da gravação de uma conversa comprometedora entre o então chefe da Casa Civil, Cezar Busatto, e o vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM), a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), mergulhou neste fim de semana na maior crise política desde que assumiu o cargo, há um ano e meio. Ao mesmo tempo em que a base governista na Assembléia Legislativa dá sinais de rebeldia e deputados do PT começam a falar em impeachment, ela anunciou no sábado a exoneração de Busatto e do secretário-geral de governo, Delson Martini, além do ex-chefe do escritório do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante e do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno.

O golpe mais forte recebido por Yeda foi fruto do conflito estabelecido entre ela e Feijó desde o início da gestão. Indignado com o fato de ter sido excluído do processo de tomada de decisões no governo, o vice-governador entregou na sexta-feira à CPI a gravação em que Busatto admite que o Detran e o Banrisul são "fontes de financiamento" de partidos da base aliada. Na conversa, ele dá a entender que na mudança de governo as duas instituições permaneceram sob controle do PP e do PMDB, respectivamente, para garantir apoio no Legislativo. As declarações geraram fortes críticas dos dois partidos, mas a tensão diminuiu depois da demissão do agora ex-chefe da Casa Civil.

Logo depois da divulgação da gravação, Busatto chamou Feijó de "mau caráter" e disse que tinha conversado com ele na tentativa de restabelecer a relação dele com a governadora. Desde o início do governo, o vice-governador já participou até de passeata contra a tentativa de Yeda de aumentar alíquotas de ICMS e por mais de uma vez pediu a demissão do presidente do Banrisul, Fernando Lemos, que é ligado politicamente ao senador Pedro Simon, do PMDB. Neste caso, a alegação é que o banco estatal teria feito contratos irregulares com uma fundação ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o que foi refutado por Lemos. O Ministério Público Estadual analisa o caso.

Em entrevista no sábado, Yeda Crusius negou que tenha "fechado os olhos" para as irregularidades que, segundo a Polícia Federal, desviaram R$ 40 milhões no Detran nos últimos anos e garantiu que manda investigar todas as denúncias que recebe. Sugeriu ainda que os ataques que vem sofrendo podem ser resultado de "reações" contra medidas que adotou no governo, como o corte de 30% dos cargos em comissão, e manifestou "indignação pelo comportamento do vice-governador", que mostra uma "tendência permanente de confronto".

O clima na sede do governo gaúcho já havia começado a azedar na quarta-feira, quando o então secretário geral de governo, o tucano Delson Martini, foi citado em uma conversa gravada pela Polícia Federal entre dois envolvidos no escândalo do Detran. A gravação foi ouvida na CPI e sugeria que Martini tinha participação no esquema. No fim de abril, o então secretário do Planejamento, Ariosto Culau, já havia sido afastado depois de ser flagrado em um bar com um dos processados no caso.

Busatto depõe hoje espontaneamente para a CPI do Detran, da Assembléia Legislativa. De acordo com a assessoria do ex-secretário, ele deverá falar com a imprensa após o depoimento. Os assessores disseram que Busatto passou o dia de ontem preparando sua defesa sobre as denúncias de suposto uso de estatais no financiamento público de campanhas eleitorais.

Em pronunciamento veiculado na noite de sábado em rádios e TVs gaúchas, a tucana defendeu sua gestão e disse, na única menção à crise, que "o desenvolvimento do Rio Grande do Sul não será afetado por ataques desleais".

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