PF prende cônsul da Espanha e outras 15 pessoas

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A Polícia Federal (PF) prendeu o cônsul honorário da Espanha na cidade de Joinville, em Santa Catarina, Antônio Escorza Antoñanzas, o filho dele e outras 14 pessoas, segundo o delegado Marcos Aurélio Pereira de Moura, superintendente da PF no Estado. Treze prisões aconteceram em Santa Catarina, uma foi na Bahia e duas ocorreram em Pernambuco. De acordo com a PF, o cônsul honorário seria o chefe da quadrilha suspeita de vender e alugar produtos contrabandeados utilizados em máquinas caça-níqueis. A PF ainda precisa cumprir três mandados de prisão. Duas pessoas estão no exterior.

Ao cônsul e ao filho foram decretadas prisão temporária; aos demais, preventiva. Moura disse que essa é apenas uma etapa da investigação. Ele não divulgou o valor movimentado pela quadrilha, apenas disse que o montante de lavagem de dinheiro chamou a atenção nas investigações. O delegado afirmou que não pode estimar valores antes de analisar as 33 contas correntes, nos Estados de Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, que tiveram seqüestro e quebra de sigilo autorizadas pela Justiça.

A Operação Cartada Final também cumpriu 48 mandados de busca e apreensão. Pelo menos 96 bens móveis foram seqüestrados e duas lanchas foram apreendidas, assim como diversos veículos. Na Bahia, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Salvador e um na cidade de Lauro de Freitas.

A quadrilha exportava peças para a montagem de máquinas caça-níqueis e as declarava como componentes eletrônicos. Segundo ele, foram encontrados R$ 35 mil em dinheiro na casa do cônsul.

"A questão central que deu início às investigações foi a exportação de componentes eletrônicos proibidos no Brasil, mas em torno deste delito verificamos crimes ainda mais graves, como a lavagem de dinheiro e a formação de quadrilha", disse o superintendente.

No Consulado-Honorário da Espanha em Joinville, uma funcionária atendeu o telefone, mas disse que foi orientada a não comentar o caso.

A quadrilha atuava, segundo a PF, em vários Estados do Brasil. O grupo também é acusado de fabricar, vender e exportar as máquinas para o México, República Dominicana, Panamá, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Espanha.

O dinheiro arrecadado pelo grupo era ocultado do sistema financeiro através de depósito e saques sem comprovação de origem. Com o dinheiro, o grupo teria adquirido quase uma centena de imóveis em Joinville (SC), Balneário Comboriú (SC) e outras cidades.

A PF identificou empresas fictícias abertas por "testas-de-ferro" do chefe da organização, que funcionariam como blindagem patrimonial. O grupo também atuaria com a conivência de policiais, que seriam corrompidos para que não atuassem na repressão a exploração de máquinas caça-níqueis pertencentes ao grupo.

Segundo a PF, entre os crimes praticados pelo grupo estão comercialização de produto contrabandeado, evasão de divisas, sonegação fiscal, falsidade ideológica, corrupção ativa, indução do Banco Central a erro e lavagem de dinheiro.

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