Newtão conta os seus cifrões

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O ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso (PMDB) usou da ironia para afirmar que é ainda mais rico do que se imagina: o seu patrimônio seria muito maior que os R$ 2,5 bilhões anunciados pela ex-mulher Maria Lúcia Cardoso (PMDB), em processo de separação judicial que corre na 3ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O valor exato não foi apresentado pelo peemedebista, mas segundo ele, a ex-mulher não conhece todos seus bens e a revista Veja — que publicou a matéria sobre a briga judicial pela divisão da fortuna — ignorou vários cifrões.

“A Veja, para escandalizar, escondeu meu patrimônio”, gabou-se o ex-governador, acusando a direção da revista de ser “imbecil”. Entre os bens listados por ele, há 145 fazendas — em vez das 100 citadas na matéria — , mais de 200 carros, uma praia na Bahia, um ilha em Angra dos Reis, a fábrica de sucos Goody, dois aviões e um helicóptero, um apartamento em Nova York, seis quartos de um hotel em Paris, um shopping e dois edifícios em Brumado, na Bahia, cidade onde nasceu, quatro apartamentos em hotel de Belo Horizonte, uma empresa de reflorestamento e aplicações no Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco Mercantil, sendo que em apenas uma delas teria mais de R$ 200 milhões.

Somente referente a uma empresa, ele comentou que pagou no ano passado mais de R$ 15 milhões em impostos. Newton Cardoso negou que seja proprietário de seis empresas em paraísos fiscais. “Fui apenas procurador de uma delas”, emendando que é um “homem sério e honrado”, que fez fortuna com trabalho honesto, fazendo questão de assinalar que tudo foi acumulado depois de deixar o governo estadual.

Regime de bens
Depois de 30 anos de união — dos quais 10 anos oficialmente —, Maria Lúcia Cardoso quer metade do patrimônio bilionário sob a alegação que o casamento realizado em 25 de fevereiro de 1998 adotou o regime de comunhão parcial de bens. Newton Cardoso contestou a informação, ao apresentar o resultado de uma sindicância administrativa realizada pela Corregedoria-geral de Justiça. O documento diz que foi encontrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Japaraíba, cidade onde a deputada nasceu, apenas um pedido de registro de pacto antenupcial protocolado em novembro de 1998, e a oficialização da união estável, adotando-se a separação total, em 7 de dezembro. Quem tiver apresentado o documento falso cometeu crime contra a fé pública e corre o risco de pegar até seis anos de prisão. “Por que a minha cliente iria abrir mão do patrimônio depois de 20 anos de união? Ela não fez nenhum voto de pobreza”, argumento Rodrigo da Cunha Pereira, advogado de Maria Lúcia Cardoso.

Ontem, Newton Cardoso afirmou que tem “pena” da ex-mulher e a aconselhou a fazer um “exame neurológico” pois nunca a agrediu fisicamente, como ela alega na ação judicial. Sobre a Veja, assegurou que a mesma descumpriu liminar judicial que proibiu a veiculação da reportagem na quinta-feira passada, pois o processo de separação tramita em segredo de Justiça. Ainda afirmou que o repórter responsável pela matéria “não deve ter mãe” e que a revista pertence a “judeus que só pensam em dinheiro”. Afirmou ainda que vai ficar ainda mais rico com a ação de danos morais que vai ajuizar. O editor sênior da revista, Júlio Cesar de Barros, preferiu não comentar o assunto.

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