Vendas voltam a subir

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IBGE revela que lojas do DF venderam 2,7% a mais em janeiro do que em dezembro

As liquidações de início de ano impulsionaram o comércio varejista de Brasília. De acordo com os dados colhidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Distrito Federal, as vendas cresceram 2,7% em janeiro de 2009 em relação a dezembro de 2008, depois de dois meses de baixa. O levantamento não inclui material de construção e veículos. Segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do DF (Sincodiv), só as vendas de veículos novos na cidade alcançaram, em janeiro último, 8.392 unidades contra 7.036 unidades vendidas e emplacadas em dezembro de 2008, um crescimento de 19,27%.


Na comparação entre janeiro de 2009 e janeiro do ano passado, o DF aparece com sinal negativo na pesquisa do IBGE. As vendas caíram 0,3%, apesar de as receitas terem crescido 6,2%. Esse é o terceiro pior desempenho do país, perdendo apenas para a Paraíba (-6,8%) e o Pará (-7,8%). Também nesse índice não estão os setores de materiais de construção e de veículos. Com a inclusão dos dois setores, o cenário fica pior para a capital federal: o percentual de queda é de 3,8%. Apenas o Pará teve uma desaceleração maior, com um recuo de 8,9%.


"A venda de veículos ainda está baixa em relação ao ano anterior, mas já começa a se estabilizar. Houve um recuperação significativa em dezembro", afirmou o técnico da área de comércio e serviços do IBGE Nilo Lopes de Macedo. Segundo Macedo, a venda de veículos no DF cedeu 7,8% na comparação entre janeiro de 2008 e janeiro de 2009. Esse dado, no entanto, não bate com o do Sincodiv no que diz respeito a veículos novos vendidos e emplacados no Detran/DF. Pelos números do sindicato, em janeiro de 2008 foram vendidos e emplacados na cidade 7.515 veículos. Em janeiro deste ano a quantidade foi bem maior, 8.392 veículos, o que resulta num aumento de 11,77%.


Em baixa

Com relação à construção civil, o dado disponível do Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento aponta queda de 4,7% na venda de materiais de construção de dezembro para janeiro. O motivo para a baixa está relacionado à expectativa sobre o lançamento do pacote habitacional do governo federal e também à indefinição sobre a redução dos tributos que incidem sobre o material de construção. Só esta semana é que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu a questão, garantindo que não haverá redução do IPI sobre esses produtos. No DF, segundo dados do IBGE, a venda de material de construção caiu 13,9% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2008.


As liquidações de início de ano motivaram a professora universitária e consultora de estilo Juliana Ferraz, 35 anos, a comprar e incentivar seus clientes ao consumo. Como os lojistas anteciparam boa parte das promoções, que começaram no dia seguinte ao Natal, as roupas e calçados com descontos ainda estavam na moda, conta. Com isso, o incentivo para gastar foi maior. Pelos cálculos dela, o guarda-roupas ganhou 25 novas peças apenas em janeiro.


"Neste ano os descontos foram maiores e começaram mais cedo. Roupas da estação começaram a ser vendidas com 50% e até 70% de desconto, aí não teve jeito, acabei gastando mais que o normal para este período", conta. A crise não deve diminuir seu consumo com roupas, prevê. "Pretendo ter mais cautela apenas com bens duráveis, como um carro, ou para entrar em um financiamento", diz. (Colaborou Mariana Flores)



Bancos abandonam usados


A dificuldade em conseguir recursos por prazos mais longos levou alguns bancos de médio porte a abandonarem as operações de financiamento de veículos ou reduzirem sua participação a níveis simbólicos - em especial, nas linhas voltadas para a compra de veículos usados. BMG, Sofisa e Daycoval são exemplos de bancos médios que seguiram esse caminho. No caso do BMG, além de ter feito a cessão de R$ 741 milhões de sua carteira de financiamento de veículos, o banco reduziu as concessões realizadas no fim do ano passado e, em 2009, saiu do negócio, segundo afirmou um executivo do banco.


"Os bancos médios preferem fazer caixa a emprestar", afirma o analista da Lopes & Filho Consultoria João Augusto Salles. Sofisa e Daycoval tomaram caminho semelhante. "O valor dos veículos usados caiu e essa é a nossa garantia. O banco ficou desconfortável em manter os mesmos patamares de geração de contratos. Temos uma produção só simbólica agora", afirmou o diretor-executivo do Daycoval, Carlos Dayan.


Apesar da saída de alguns bancos médios desse negócio, a Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp) acredita que o mercado de financiamento de veículos usados não sofrerá um grande impacto negativo, porque instituições têm uma participação inferior a 10% do mercado total. Ele lembra, porém, que independentemente da idade do automóvel, o consumidor irá encontrar prazos mais curtos do que aqueles oferecidos até a deflagração da crise, em setembro passado.


Alta no crédito imobiliário


O crédito para financiamento imobiliário com recursos da poupança alcançou R$ 1,9 bilhão em janeiro, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O valor representa uma alta de 17,45% em comparação com o mesmo mês de 2008. O volume de recursos financiou a construção e aquisição de 18 mil imóveis - uma alta de 3,85% frente a janeiro do ano anterior. Em 12 meses, o número de unidades financiadas superou os 300 mil, segundo a entidade, e o volume de recursos avançou de R$ 30 bilhões para R$ 30,3 bilhões.


Também no primeiro mês do ano, foram retirados R$ 900 milhões da poupança, segundo dados do Banco Central mencionados pela Abecip. "Esse resultado não constitui surpresa, pois o primeiro mês do ano é caracterizado como um período em que os saques costumam superar os depósitos, devido aos gastos com festas de final de ano, pagamento de tributos, férias e despesas escolares", afirma a entidade.


1 Opinaram:

William disse...

O pIor ainda Juliana é engolir que a crise afetou muito o Brsail...o Brasil não, afetou as multinacionais, que aqui no Brasil continuam dando lucros e mesmo assim seguem as demissões.

Grande beijo

William JPT-SP

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