Brasil exporta US$ 1,4 bi e fica em quinto lugar

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Em 2008 esse mar de oportunidades de exportação de serviços somou nos cinco continentes US$ 70 bilhões. A fatia captada para o Brasil foi de US$ 1,4 bilhão, ante os US$ 41 bilhões da Índia, US$ 3 bilhões da China e US$ 2,9 bilhões do México. E esse bolo tende a crescer. As estimativas para a captação de serviços terceirizados de TI no exterior dão conta de um mercado de US$ 101 bilhões em 2010.

Essas são algumas das conclusões do estudo da consultoria internacional AT Kearney, encomendado pelo governo federal por meio de vários órgãos, como o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Desenvolvimento, Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as Agências Brasileiras de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), numa parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Seus resultados foram apresentados, ontem, em Brasília. O documento final foi apontado como um importante instrumento para orientar ações do governo federal e da iniciativa privada para superar os gargalos nacionais e ampliar a participação do Brasil frente a outros destinos.

Tantos padrinhos para a causa da atração dos serviços de TI ao País faz sentido. As empresas brasileiras têm conquistado posições importantes no cenário internacional: no ranking da consultoria ATKearney, cujos dados trabalhados datam de 2007, o País galgou cinco posições desde 2005, quando ostentava o décimo lugar da lista. Mas, há gargalos preocupantes ao País. Segundo a consultoria, o destino é relativamente caro, em comparação com outras nações emergentes. De um lado, a carga fiscal é desencorajadora. Impostos sobre a folha somam até 53,1% dos recursos pagos aos salários, ante médias de 29,3% na Argentina, 31,4%, no México; 35%, na China; e 16,8% na Índia. Outro aspecto que encarece são os salários brasileiros, mais altos que em outras partes do Terceiro Mundo. A pesquisa levantou, por exemplo, que um gerente de tecnologia da informação e telecomunicações no País ganhava, em média, no biênio 2006/2007, US$ 74,4 mil; ante os US$ 30,9 mil, na Colômbia; US$ 22,8 mil, na Índia; e US$ 47,2 mil, na China.

De acordo com o estudo, as melhores chances do País dizem respeito a um posicionamento de destino diferenciado, especializado em nichos de mercado para grandes clientes de setores que exigem grande especialização. Exemplos nesse sentido são os setores financeiro e governamental. Segundo o estudo, o sofisticado mercado interno brasileiro tem fôlego e especialização, ainda, para dar conta das demandas de setores como varejo, manufatura, comunicações e serviços. AT Kearney avalia que os potenciais compradores desses serviços estão nos Estados Unidos, Europa e Japão.

Os principais diferenciais brasileiros, na avaliação da consultoria, além do forte mercado interno, são os incentivos governamentais dirigidos ao setor, compatibilidade cultural e fuso horário conveniente aos Estados Unidos e Europa, além de direitos de propriedade intelectuais de bom padrão.

A indústria nacional hoje estaria melhor preparada para os desafios à exportação de seus serviços, respondendo por gastos de US$ 26,8 bilhões em 2008, o que corresponderia a uma média de crescimento anual entre 2002 e 2008 de 16%, a maior entre os emergentes da América Latina e a mesma registrada pela China.

Ainda assim, em comparação com a Índia, o País tem muito campo para crescer: o mercado das maiores cinco empresas indianas é 2,6 vezes maior que suas equivalentes brasileiras; e 7,6 vezes maior no que tange ao faturamento de serviços exportados. Ou seja, o desenvolvimento de empresas nacionais deveria ser o foco para garantir ao Brasil mais músculos em termos de capacidade e escala.

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