Eletrobrás vai aplicar US$ 16 bilhões no Peru

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A sonhada integração energética da América do Sul pode começar a sair do papel no ano que vem, segundo o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes. Os primeiros projetos seriam hidrelétricas na Argentina e no Peru, informou o executivo.

A Eletrobrás tem projeto para construir seis hidrelétricas no Peru com capacidade de 7 mil a 8 mil megawatts. O investimento total do pacote de usinas é estimado em US$ 16 bilhões, segundo Muniz. "Os estudos estão sendo aprofundados. O governo do Peru ofereceu ao Brasil 15 usinas com capacidade de 20 mil megawatts. Nós escolhemos primeiramente 4 usinas, mas como a concepção delas olhava só para o Brasil, decidimos ampliar para 6 usinas", disse o executivo.

A primeira unidade será construída na região de Inambari e terá uma capacidade de 2 mil megawatts de energia. "Ela (hidrelétrica) já está em viabilidade e estamos definindo os parceiros. A OAS e a GTZ (do Peru) fizeram os estudos de viabilidade. Por hora seremos minoritários", afirmou o executivo ao destacar que o investimento previsto é de US$ 4 bilhões.

O estudo sobre a hidrelétrica de Gabari, no rio Uruguai, fronteira com a Argentina, foi aperfeiçoado, segundo Muniz. A usina terá duas unidades de geração e a capacidade foi ampliada de 1.800 para 2.900 megawatts. A hidrelétrica será binacional e ficará na fronteira entre Brasil e Argentina, a exemplo de Itaipu, dividida entre Brasil e Paraguai. "Esse é um projeto bem avançado e os sócios são Eletrobrás e Ebisa (da Argentina)", declarou Muniz Lopes. "Tenho uma luta para isso ocorrer no ano que vem. A questão ambiental é um desafio nessa região", acrescentou.

O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, afirmou que o Brasil vai exigir a assinatura de tratados internacionais entre os países envolvidos. "A integração só deve ser implementada com tratados internacionais, pela experiência que tivemos", disse ele ao se referir aos contratos de Itaipu, com o Paraguai, e do Gasbol, com a Bolívia, ambos pontos frequentes de conflitos entres os países envolvidos.

No rumo da Petrobras

O presidente da Eletrobrás comemorou ainda a aprovação da medida provisória que flexibiliza as contratações da estatal. Segundo ele, a desobrigação de cumprir a lei de licitação, a 8.666, pode transformar a companhia em uma empresa "mega, como a Petrobras", afirmou.

O executivo informou porém que a flexibilização da lei está sendo questionada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e o mérito está sendo julgado pelo STF. Se a MP for derrubada pelo Supremo, o Governo pode optar pela votação de uma nova lei. "Quando o interesse nacional está em jogo o Congresso se mobiliza", avaliou.

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