Garotinho, pelo PR, e Crivella, pelo PRB, montam chapa para governo e Senado

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Em sua quinta mudança partidária, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho vai trocar o PMDB pelo PR com o objetivo de candidatar-se ao governo do Estado no ano que vem. O PR foi criado com a dissolução do PL depois do envolvimento de alguns de seus parlamentares, como Valdemar Costa Neto e Sandro Mabel, no escândalo do mensalão na Câmara, em 2005.

Nesta semana, o PR convidou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), para a legenda e concorrer à Presidência da República. Aécio, que ter "convergência de pontos de vista" com o partido, já teve como vice em seu primeiro mandato o empresário Clésio Andrade, filiado na época ao PL e hoje no PR.

A filiação de Garotinho está marcada para a primeira semana de junho. O ex-governador estava com dificuldades para ganhar espaço no PMDB do Rio, onde dividia forças com o governador Sérgio Cabral, que vai tentar a reeleição no ano que vem. Apesar das divergências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a candidatura de Garotinho seria mais um palanque para o candidato do PT à Presidência. O PR é da base do governo federal, tem a pasta dos Transportes com o senador Alfredo Nascimento e possui bancada considerável na Câmara, de 42 parlamentares.

Segundo a presidente estadual do PR no Rio, a vereadora Liliam Sá, Garotinho teria naturalmente o apoio do senador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella, filiado ao PRB, partido também originado do extinto PL e do vice-presidente José Alencar. Os dois partidos têm fortes ligações evangélicas no Rio. O PR agrega políticos ligados à Assembleia de Deus, enquanto o PRB agrupa representantes da Igreja Universal. Os dois partidos lançariam Garotinho a governador e Crivella a nova candidatura ao Senado.

Os líderes do PR apostam que o partido vai crescer com a chegada do ex-governador. "Sua entrada significa crescimento extraordinário no partido local e nacionalmente. O Rio de Janeiro tem peso político no país e o nome de Garotinho extrapola as fronteiras do Estado, ele já foi candidato a presidente com 15 milhões de votos", disse o presidente do PR, Sérgio Tamer, que assumiu nesta semana a secretaria de Direitos Humanos do Maranhão, na recente gestão de Roseana Sarney (PMDB).

Fundador do PL nos anos 80, Tamer concorreu duas vezes para deputado federal pelo Maranhão sem sucesso. Diz que Garotinho terá "total autonomia" para fechar alianças. A estratégia da legenda é lançar candidatos próprios para governador nos estados do Mato Grosso, Amazonas, Espírito Santo, Rondônia, Tocantins e Bahia e aumentar a bancada em oito a dez deputados. As composições seguirão lógicas regionais, diz Tamer.

No Estado do Rio, o PR não vê problemas em romper com o governador Cabral. "Não temos compromisso nenhum com Sérgio Cabral. Ele já havia rompido conosco. Demos tempo de TV no segundo turno das eleições, mas não participamos do governo depois dele ter vencido. O mesmo ocorreu com a prefeitura de Eduardo Paes, mas em termos nacionais, continuamos a caminhar com o governo Lula", disse a vereadora Liliam Sá.

Garotinho já passou pelo PT, PDT e PSB. Está inelegível por abuso de poder econômico (compra de votos) nas eleições de 2006. A decisão do Tribunal regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) é válida por três anos a contar das eleições de 2006 e a legislação permite nova eleição até que o processo esteja transitado em julgado.

A saída de Garotinho do PMDB pode dificultar as pretensões eleitorais de Sérgio Cabral, cujo governo tem sofrido queda de aprovação, segundo pesquisas recentes. Aliado do presidente Lula, Cabral já havia trocado farpas com o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias (PT), que queria lançar-se ao governo do Estado em 2010. Segundo políticos envolvidos nas negociações, Lindberg estaria, com esse movimento, forçando sua candidatura ao Senado.

Por trás da briga, está o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Jorge Picciani (PMDB), com influência na administração Cabral. Picciani quer uma vaga no Senado e trabalha para que a aliança PMDB-PT no Rio não se restrinja às eleições majoritárias e se estenda nas candidaturas às duas vagas do Rio para limitar o número de concorrentes. O PT, entretanto, tem como possível candidata, além de Lindberg, a ex-governadora do Rio Benedita da Silva (PT), atualmente secretária de Direitos Humanos do governo Cabral.

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