Lula deve mediar atrito entre Renan e Mercadante

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve intervir para diminuir o atrito entre o líderes do PT, Aloizio Mercadante (SP), e do PMDB, Renan Calheiros (AL), no Senado. Parte dos senadores aliados afirmam que a interferência de Lula é necessária, pois a relação entre os líderes está péssima e existe o temor de que isto contamine ainda mais o já conturbado clima político na Casa. Mas também existem aqueles que estão céticos em relação aos efeitos desta ação presidencial, lembrando que há o risco de Lula "lavar as mãos", a exemplo do que fez na eleição para a presidência do Senado, em fevereiro.

Na segunda-feira, Renan encontrou-se com o presidente antes do embarque de Lula para Salvador. Queixou-se que Mercadante estava tumultuando o ambiente político no Senado. Criticou o fato de o petista ter organizado um encontro do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, com os tucanos, estratégia que foi insuficiente para evitar a CPI da estatal. Por fim, acusou o petista de ter vazado para a imprensa que o PMDB "fazia corpo mole para evitar a CPI porque quer mais cargos na estatal".

Mercadante nega que tenha feito isto. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) entrou no circuito e tentou mostrar a Renan que o líder petista nada tinha a ver com a notícia. Atitude que acabou envolvendo Jucá também nas confusões que se multiplicam na Casa. "A comunicação entre os três tem ruídos há semanas", confirmou um petista.

Mercadante adotou o estilo diplomático. À tarde, confirmou que esperava o retorno do presidente a Brasília para uma conversa, a convite do próprio Lula. Mas o embarque do presidente em Salvador atrasou e a conversa teve que ser telefônica. Existe a expectativa de um encontro hoje de manhã. O petista circunscreveu suas divergências com Renan ao embate de ideias no Parlamento.

"O Renan é líder de um partido, eu sou líder de outro. Divergências políticas são naturais e é assim que as coisas devem ser tratadas", disse, ao defender a busca do equilíbrio nas relações para evitar que o governo seja prejudicado. "Estamos há sete anos em uma coalizão que envolve onze partidos, todos com o objetivo de dar sustentação ao governo Lula", completou.

Um líder aliado afirmou que será preciso gastar "muita saliva" para que a paz volte a reinar no Senado. "Renan e Mercadante são bicudos demais, eles precisam se desarmar e voltar a conversar", defendeu um senador da base governista. O problema é que o elo de ligação mais próximo, o líder do governo na Casa, Romero Jucá, acabou jogado de roldão nesta briga.

Dentro da bancada, Jucá é visto como um senador que defende mais os interesses do governo do que os da legenda. Em uma das mais recentes reuniões dos pemedebistas, chegou a ser cobrado por um dos colegas de partido. "Você está aqui como um senador do PMDB ou como um emissário do Planalto?" Renan também não gostou nada dos movimentos de Jucá, em parceria com Mercadante, nas negociações para a indicação dos integrantes da CPI da Petrobras.

Mas Jucá também discorda do Executivo, ao deixar claro que não concorda em ficar o governo com a presidência e a relatoria da CPI da Petrobras. "Ele sabe que isto só vai gerar mais tensão com a oposição, o que emperra ainda mais os trabalhos da Casa", confirmou um senador próximo de Jucá.

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