Contas mostram superávit após 18 meses

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O Brasil registrou o primeiro superávit em transações correntes depois de 18 meses, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. O saldo positivo de abril é praticamente simbólico, apenas US$ 146 milhões, mas reflete uma melhoria das contas externas, principalmente da balança comercial, que em abril apresentou superávit de US$ 3,7 bilhões.

Em 12 meses, a conta corrente do governo ainda apresenta um déficit de US$ 19,8 bilhões ou 1,41% do Produto Interno Bruto (PIB), o que ainda é alto, mas significativamente menor do que o patamar registrado em dezembro. O déficit acumulado em 2008 chegou ao pico de US$ 28,2 bilhões.

"É um resultado bom, mas não significa uma mudança de tendência", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o país deve alternar nos próximos meses saldos negativos e positivos em transações correntes. Para o final do ano, o BC ainda prevê déficit de US$ 16 bilhões, mas é provável que esse número seja revisado para baixo no próximo mês.

No lado comercial, a queda das importações tem sido o principal fator responsável pelo ajuste nas contas externas, enquanto no lado das rendas e serviços a contribuição principal vem das menores remessas de lucros e dividendos. Em ambos os casos, a melhoria foi originada, contraditoriamente, pela piora da situação econômica do país no início deste ano.

Entre janeiro e abril do ano passado, no auge do crescimento econômico, as empresas multinacionais estavam desfrutando de altos lucros e aproveitaram o real valorizado para remeter US$ 12,4 bilhões ao exterior. No primeiro quadrimestre deste ano, com os lucros em baixa e o real desvalorizado, as remessas caíram para US$ 5,3 bilhões.

Na prática, 81% da redução no déficit em transações correntes é explicado pelas menores remessas. E um dos fatores de incerteza sobre o comportamento futuro das contas externas provém justamente desse tipo de transação. Com a revalorização do real, a alta na bolsa de valores e a lenta recuperação da economia real, muitas empresas estrangeiras podem aproveitar novamente para transferir dólares das subsidiárias às matrizes.

Até o dia 22 de maio, por exemplo, as remessas já somavam US$ 2,4 bilhões no mês, o maior valor mensal registrado até agora no ano. A incógnita passa a ser, nesse caso, o comportamento das exportações e das importações.

As importações vêm caindo mais acentuadamente do que as exportações por dois motivos: a queda nos investimentos, que leva as empresas brasileiras a importarem menos máquinas e equipamentos, e a alta no preço de commodities, que torna as exportações mais rentáveis, compensando parcialmente o menor volume vendido.

Do início do ano até a terceira semana de maio, as importações registram queda de 25% em relação ao mesmo período de 2008.

Já as exportações apresentaram uma redução de 20% do começo do ano até a terceira semana de maio ante o mesmo período do ano passado. (Da Helena http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/)

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