PDT dá sinais de que vai apoiar CPI contra Yeda

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Dirigentes e deputados do PDT indicaram que o partido tende a apoiar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar denúncias de irregularidades na campanha eleitoral de 2006 e no governo do Rio Grande do Sul. A decisão será tomada hoje, após uma série de consultas jurídicas feitas pelos deputados. Se a bancada optar por aderir em bloco, o requerimento passa a ter 18 das 19 assinaturas necessárias para a aprovação. Nesse caso é certo que a CPI será criada. Dois dos três deputados do DEM prometem definir a questão, a favor da CPI, depois que o documento tiver 17 assinaturas.

A perspectiva de assinar o requerimento cresceu entre os pedetistas no fim de semana, quando reportagem da revista Veja indicou que o então candidato e hoje vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) captou R$ 25 mil em espécie de uma concessionária de automóveis e transferiu o valor para o tesoureiro da campanha de 2006, Rubens Bordini, que não teria registrado a doação. Bordini negou ter recebido o dinheiro e disse que, por isso, as explicações sobre o caso cabem somente a Feijó. Pela manhã havia a quase certeza de que, diante do "fato novo", o PDT assinaria o requerimento. Ao fim do dia, no entanto, o governo contava com um recuo do PDT.

O presidente nacional do PDT, deputado Vieira da Cunha, e o presidente regional, Romildo Bolzan Junior, detectaram tendência pela adesão ao requerimento, mas ressaltaram que a bancada vai decidir livremente. Para assinar o requerimento, os pedetistas vão pedir algumas modificações no texto, tentando concentrar o pedido na investigação de agentes públicos do governo estadual que teriam agido para favorecer empresas em licitações. Inicialmente, a questão do caixa 2 na campanha de 2006 e o suposto desvio de parte do dinheiro para a aquisição da casa da governadora Yeda Crusius não seriam objeto da investigação.

A deputada estadual Stela Farias (PT) admite que o texto pode ser alterado por acordo entre os signatários. O pedido original tem como argumento central que agentes do governo cometeram ou permitiram irregularidades no serviço público e, a partir disso, propõe a investigação de licitações, contratos, ligações entre réus da Operação Rodin e investigados da Operação Solidária da Polícia Federal e enriquecimento ilícito de Yeda. Há ainda item específico para esclarecer se a casa dela foi comprada só com recursos próprios, como alega, ou se contou com sobras de campanha, como acusam integrantes do PSOL.

Se a CPI for aprovada, um dos primeiros convocados a depor deve ser o vice-governador. Feijó chegou de viagem no domingo confirmando a troca de e-mails com Bordini citada pela revista Veja.

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