Petrobras e Embraer tentam fechar negócios

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No segundo dia de visita oficial à China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunirá hoje com o colega Hu Jintao, com quem deve assinar acordos de cooperação. Entre os contratos previstos estão um entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco de Desenvolvimento da China (BDC), além de outro entre o BDC, a petroleira chinesa Sinopec e a Petrobras, para permitir a exploração de petróleo em águas profundas do litoral chinês. Como a delegação brasileira já recebeu sinal negativo sobre a possibilidade de abertura do mercado no país mais populoso do planeta à carne suína e bovina, Lula pretende ao menos convencer Hu a investir mais no Brasil, especialmente nos setores de infraestrutura e combustíveis.

A Sinopec está interessada em comprar da estatal brasileira 200 mil barris de petróleo cru por dia, mas a Petrobras oferece apenas a metade desse volume, a menos ser que consiga compensação financeira. “Os negociadores da China são duros. Imagino que eles pensem a mesma coisa do outro lado”, ponderou Lula, em relação às dificuldades para fechar o acordo.

Outro contrato que deve ser assinado na visita envolve a Embraer e a companhia Hainan Airlines. A Embraer vai construir na China 25 aviões para a companhia local, uma encomenda que equivale à metade do pedido feito em 2006. A requisição teve de ser revista por causa da crise financeira mundial. O governo brasileiro tenta ainda negociar a abertura de um escritório da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em Pequim. Outras decisões que devem ser tomadas pelos países são o lançamento conjunto de dois satélites espaciais, a cooperação em leis comerciais e um protocolo contra crimes transnacionais.

O objetivo da viagem, que termina amanhã — quando a comitiva brasileira seguirá para a Turquia —, é ampliar as relações comerciais. O item da agenda comercial a ser discutido com mais destaque é a abertura do mercado chinês para as carnes brasileiras. Clodoaldo Hugueney, embaixador brasileiro no país, acha “possível termos resultados positivos em relação às carnes de frango, porco e boi”. No entanto, negociadores chineses já deram sinais de que ainda não haverá concessões em relação à compra de carne suína e bovina. Sobre a carne de frango, a expectativa é de que Pequim anuncie as primeiras licenças de importação, cinco anos depois de ter assumido o compromisso de abrir o mercado para o produto. São 24 os frigoríficos brasileiros habilitados para exportar frango à China.

Mercado valioso
O interesse brasileiro em exportar sobretudo carne de porco para a China se explica pela dimensão desse mercado: os chineses ficaram com 53% dos 100 milhões de toneladas de carne suína consumidas no mundo em 2006. No entanto, com a resistência de Pequim, as negociações só devem ser retomadas em outubro, durante o encontro da Comissão Sino-Brasileira de Cooperação e Coordenação em Alto Nível, no Brasil. A condição para um acordo é que os brasileiros passem a comprar a carne suína chinesa.

Em relação à carne bovina, a China tem menos argumentos para manter o bloqueio. No ano passado, os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso recuperaram o status de exportadores, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Esse reconhecimento havia sido perdido em 2005, diante dos focos de febre aftosa. Mesmo com o aval da OIE, os chineses mantiveram a suspensão. O governo Lula já pediu que uma delegação de Pequim visite o Brasil para confirmar a qualidade da carne bovina.

Nos últimos dois meses, a China se tornou o maior importador de produtos brasileiros, superando os Estados Unidos. Lula se encontrará hoje também, separadamente, com o primeiro-ministro Wen Jiabao, o vice-presidente Xi Jinping e o mais alto conselheiro do governo, Jia Qinglin.

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