Petrobras garante recursos para investimento até 2013

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A Petrobras concluiu sua necessidade de captações pelos próximos cinco anos. Dos US$ 26 bilhões que a companhia projetava precisar entre 2009 e 2013 para complementar a sua geração de caixa, projetada em US$ 148,6 bilhões, ela já obteve US$ 30 bilhões. Ou seja, já está em situação folgada antes mesmo de receber um segundo financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 10 bilhões prometido para 2010. Com os US$ 30 bilhões que já captou a empresa garante os investimentos de US$ 174,4 bilhões nos próximos cinco anos mesmo se o petróleo permanecer nos atuais patamares de preço, em torno de US$ 60 o barril, o que não é o esperado em função da escassez de novos investimentos em produção e considerando que há uma queda natural da produtividade dos campos que hoje estão suprindo a demanda mundial.

"A preços correntes do petróleo nós já nos financiamos. Andavam dizendo que a Petrobras não pode explorar o pré-sal por problemas técnicos e carência financeira. E nada disso é verdade. Produzir petróleo leve naquela profundidade não é problema para essa companhia", diz o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa.

O plano de negócios da Petrobras até 2013 foi projetado tendo como referência o preço médio de US$ 42,4 por barril do petróleo Brent até 2013, sendo que o preço médio de "robustez" é de US$ 66,6 por barril. E cada US$ 1 adicional no preço do petróleo Brent aumenta em US$ 500 milhões o fluxo de caixa. Para 2009 o plano assume preços de US$ 58 por barril no cenário de robustez e de US$ 37 para a curva de referência. No momento os preços estão mais elevados do que a projeção mais otimista, já que em o barril do tipo Brent comercializado em Londres para entrega em julho fechou com alta de US$ 1,26, a US$ 62,50, valor que aumenta para US$ 63,19 nos contratos para entrega em agosto. Até 2013 a Petrobras planeja investir US$ 100 milhões por dia. É o maior orçamento de investimentos em andamento em todo o mundo, tendo sido considerado como "estonteante" pelo banco Goldman Sachs logo depois da divulgação.

O financiamento de US$ 10 bilhões assinado com o China Development Bank e a estatal chinesa Sinopec é o último de uma série de financiamentos que ela obteve desde o início do ano. O primeiro foi um empréstimo-ponte de US$ 6,5 bilhões de um "pool" de bancos (HSBC, Banco do Brasil, Santander, Société Générale, JPMorgan e Citibank), que tem prazo de dois anos para ser repassado ao mercado internacional, sendo que uma parte dele, no valor de US$ 1,5 bilhão, já foi colocada em fevereiro em operação que teve demanda por US$ 5 bilhões.

A Petrobras obteve em seguida o polêmico financiamento do BNDES, que está prestes a liberar os R$ 25 bilhões, equivalentes a US$ 11,9 bilhões pelo câmbio atual. Na sequência vieram US$ 2 bilhões do Banco de Crédito à Exportação e Importação dos Estados Unidos (Eximbank) e este mês assinou o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) banco estatal da China. Esse contrato, segundo Barbassa, tem 10 anos de prazo, sendo cinco anos de carência e cinco de amortização. Também ficou acertado que os chineses poderão se tornar sócios da Petrobras em blocos exploratórios que a estatal já tem sob concessão no norte do Brasil.

Barbassa, que voltou da China recentemente, explicou que o contrato assinado com a Sinopec já está em vigor e não depende de qualquer incremento na atual produção de petróleo da companhia e nem do início do pré-sal. O plano de negócios prevê saltos na produção - que hoje está em 2 milhões de barris de óleo diários no Brasil e exterior - para 2,680 milhões de barris por dia em 2013. Esse volume vai saltar para 3,34 milhões de barris em 2015 e 3,9 milhões de barris diários em 2020.

Mas a Petrobras não depende desse petróleo para cumprir o contrato com a China e vai apenas desviar parte da sua atual exportação para o país asiático, que já é grande importador do petróleo nacional. No primeiro trimestre deste ano a companhia exportou 666 mil barris de petróleo e derivados por dia. Desse total, foram exportados uma média diária de 415 mil barris de petróleo pesado, exatamente o tipo que a China compra. O contrato com a Sinopec prevê a oferta preferencial para os chineses de 150 mil barris diários no primeiro ano e 200 mil barris/dia a partir do segundo ano e até o décimo.

Barbassa ressalta que a novidade nesse contrato é que ele não tem uma estrutura tradicional, sem a complexa estrutura contratual de uma securitização, sendo um acordo de fornecimento estratégico. "Temos a obrigação de oferecer para a Sinopec 200 mil barris por dia a preços de mercado. Eles têm a primeira opção de comprar ou recusar e não há nenhuma contrapartida de compra de material chinês", explicou o executivo da Petrobras.

Com US$ 2 trilhões em reservas, dos quais cerca de US$ 1 trilhão depositados em títulos do Tesouro americano, a China pode perder recursos de US$ 60 bilhões se os Estados Unidos registrarem inflação de 6% ao ano. Isso explica por que é conveniente para a China diversificar aplicações. Em 2007 a China produzia 3,7 milhões de barris de petróleo por dia. Isso é mais que a produção brasileira, mas insuficiente para atender seu consumo naquele ano, que foi de 7,8 milhões de barris/dia, segundo dados da "BP Statistal Review of World Energy", os últimos disponíveis.

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