Sócio de Constantino é beneficiado pela Justiça

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O homem acusado de subornar testemunhas durante investigação contra o empresário Constantino de Oliveira se beneficiou com um habeas corpus na Justiça de Brasília. Preso desde a última quinta-feira, Victor Foresti está solto por decisão da desembargadora Sandra de Santis, da 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF. Ele é genro e sócio do fundador da Gol Linhas Aéreas no grupo Planeta e vice-presidente do Setransp, o sindicato das empresas de transportes urbanos do DF. Deixou o cárcere do Departamento de Polícia Especializada (DPE) por volta de 13h30.

Na decisão, tomada na manhã de ontem, a desembargadora reconheceu o direito do réu de aguardar o julgamento em liberdade. Admitiu a interferência de Foresti no caso, mas entendeu que não havia necessidade de mantê-lo preso. “A liminar em habeas corpus fica reservada àqueles casos em que é evidente o constrangimento ilegal. (…) Embora nocivo às investigações, não foi imputado ao paciente crime praticado com violência ou grave ameaça contra a pessoa”, afirmou.

Além de Foresti, a Polícia Civil do DF prendeu no fim da semana os motoristas aposentados João Alcides Miranda, 61, e Vanderlei Batista Silva, 67. Os dois continuam presos por força de mandados de prisão preventiva. Trabalhavam para Constantino e, de acordo com a Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), receberam ordens dele para executar dois moradores que resistiam em sair de propriedade da Planeta em Taguatinga. Os crimes ocorreram em 2001. Os pistoleiros contratados para assassiná-los também acabaram mortos.

Constantino continua livre. Os advogados de defesa recorreram à prisão domiciliar depois de negado pedido de habeas corpus. A desembargadora Sandra de Santis atendeu o pedido às 20h de sexta-feira. Mas o empresário ainda não se apresentou. Os defensores disseram que ele passa por tratamento médico em São Paulo e “se apresentará à Justiça espontaneamente tão logo tenha condições de saúde para tal”.

Independentemente da prisão do fundador da Gol, o processo continua na Justiça brasiliense. O juiz Almir Andrade Freitas, do Tribunal do Júri de Taguatinga e responsável pela ordem para prender os acusados, determinou a instauração da primeira fase do julgamento no despacho assinado às 12h36 de segunda-feira. Assim, devem ser marcados para logo os primeiros interrogatórios dos acusados e das testemunhas do caso.

Crimes
O indiciamento de Constantino ocorreu em 10 de dezembro de 2008 por conta da morte de Márcio Leonardo de Sousa Brito, 27 anos. A vítima morreu em 12 de outubro de 2001, no terreno da antiga garagem da Viação Pioneira, na QI 25 de Taguatinga. Era líder dos cerca de 100 moradores do lugar. Levou três tiros ao ser atraído para uma emboscada. Na manhã seguinte, advogados do fundador da Gol retiraram os moradores do local. Os chefes de cada família receberam R$ 500.

O grupo ocupava a área desde 1990. Constantino brigava na Justiça para retirá-los — as disputas começaram depois que um ex-empregado do grupo Planeta vendeu lotes fracionados no terreno. O fundador da Gol acabou indiciado novamente em 30 de dezembro último. Dessa vez, pela morte do caminhoneiro Tarcísio Ferreira, 42, assassinado em 9 de fevereiro de 2001. Um pistoleiro o atacou nas proximidades da garagem da Pioneira. É o mesmo local onde, oito meses depois, Márcio morreria. Correio Braziliense - 24/05/2009

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