Tanure quebrou

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A Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, concedeu ontem férias coletivas de 30 dias aos funcionários da "Gazeta Mercantil" e informou que o diário econômico não vai circular na segunda-feira.

A empresa reiterou que não vai mais editar o jornal, conforme decisão anunciada no início desta semana. A CBM rescindiu o contrato de licenciamento das marcas do grupo Gazeta Mercantil - que incluem o nome do próprio jornal e o serviço de informações on-line InvestNews.

Nesse contexto, o diário - que tem quase 90 anos de história - fica sem ter um grupo que responda pela continuidade de sua publicação a partir da próxima semana.

O empresário Luiz Fernando Levy, da família fundadora da "Gazeta", divulgou comunicado na terça-feira afirmando que buscaria "fórmulas negociadas" para preservar a publicação do jornal. No entanto, nenhum acordo havia sido anunciado até o fechamento desta edição.

Segundo a assessoria de imprensa da CBM, a companhia vai tentar realocar funcionários da "Gazeta Mercantil" para suas outras publicações. O grupo de Tanure também edita o "Jornal do Brasil" e alguns títulos da Editora Peixes. O jornal de economia tem cerca de cem empregados, dos quais aproximadamente 60 na redação.

Tanure assumiu a edição da "Gazeta Mercantil" no fim de 2003, quando assinou com Levy um contrato para usar a marca do jornal, que se encontrava em dificuldades financeiras por causa de dívidas trabalhistas. Conforme esse acordo, a CBM pagaria royalties que lhe dariam o usufruto por 60 anos.

Porém, a Justiça do Trabalho vinha entendendo que as empresas de Tanure eram solidárias nas dívidas da antiga "Gazeta" e começou a penhorar alguns de seus bens para quitar débitos com atuais e ex-funcionários. Na última quinta-feira, a 26ª Vara Federal do Trabalho de São Paulo penhorou o equivalente R$ 200 milhões em ações da Intelig. Tanure, controlador da operadora de telefonia, firmou acordo para vendê-la à TIM, negócio que ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Abrir mão do jornal seria uma tentativa do empresário de evitar a contaminação de seus outros negócios.

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