Sarney atribui denúncias a PT e PSDB e prepara contra-ataque

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O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e seus aliados mais próximos identificam setores do PT e do PSDB como fontes das denúncias publicadas contra o pemedebista, relativas a atos administrativos mantidos em sigilo, que beneficiaram parentes seus, inclusive um neto. Disposto a sair da defensiva, Sarney e seu grupo preparam estratégia de ataque. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), terá o papel principal na ofensiva.

O contra-ataque será no plenário, com respostas afirmativas a senadores que cobrarem explicações sobre as denúncias, e nos bastidores. O grupo de Sarney busca reunir informações sobre os supostos adversários. Trata-se de munição para ser vazada à imprensa, caso as acusações continuem.

Setores do PT ligados ao senador Tião Viana (AC) e a ala do PSDB próxima do governador de São Paulo, José Serra, são apontados como focos das denúncias divulgadas contra Sarney desde sua eleição para a Presidência do Senado, em fevereiro. Ele disputou contra Viana, apoiado pelo PSDB. O petista, então vice-presidente da Casa, deixava clara a intenção de desmontar a estrutura administrativa comandada pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia, que está por trás de atos que comprometem Sarney.

O pemedebista tem o governador paulista como principal oponente no PSDB. A família Sarney sempre suspeitou que Serra estaria por trás da operação da Polícia Federal na empresa Lunus, de Roseana Sarney, governadora do Maranhão, e seu marido, Jorge Murad, durante a campanha eleitoral de 2002. Roseana era pré-candidata à Presidência (ex-PFL). A PF apreendeu mais de R$ 1 milhão, o que acabou com a candidatura.

Ao contrário dos rumores sobre renúncia ao cargo, Sarney manifesta disposição de permanecer na Presidência do Senado e não ficar acuado. Ontem, ele passou o dia em despachos internos na Casa e reuniu-se com Renan e o líder do PTB, Gim Argello (DF), um aliado que tem se destacado na defesa do grupo.

Uma das decisões tomadas é punir servidores responsáveis por irregularidades, mesmo próximos a Sarney, na tentativa de mostrar para a opinião pública que o pemedebista está adotando medidas contra a corrupção. Seria uma forma de tirá-lo do foco das denúncias. O receio de seus interlocutores é que as denúncias não tenham acabado.

Na sessão de hoje, os pemedebistas pretendem avaliar o comportamento de senadores que costumam ter postura mais crítica na Casa, como Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS), além de parlamentares de outros partidos. Aliados de Sarney querem reagir à altura de eventuais ataques.

Preocupado com as eleições de 2010, esse grupo tenta dar um caráter de disputa política às denúncias de corrupção. A avaliação é que o enfraquecimento de Sarney pode comprometer o desempenho eleitoral da bancada - 16 dos 19 senadores do partido disputarão a reeleição. Aliados mais próximos de Renan temem outro efeito: maior desgaste do alagoano, como reflexo do enfraquecimento de Sarney, já desgastado com a divulgação de recebimento de auxílio-moradia indevido.

A avaliação é que as denúncias contra Sarney são mais graves do que as que levaram à renúncia de Renan da presidência da Casa, em 2007. Tudo começou com um caso pessoal: acusação de usar um lobista para pagar pensão à mãe de uma filha sua fora do casamento. O grupo próximo de Renan também vê ação da bancada do PMDB na Câmara na tentativa de enfraquecer lideranças pemedebistas do Senado.

No entanto, o bombardeio contra Sarney é visto com preocupação por setores da bancada do PMDB da Câmara - principalmente pelo presidente da Casa e presidente licenciado do partido, Michel Temer (SP). Ao contrário de Renan, que sempre alimentou a divergências entre as duas alas do partido, Sarney tem conseguido equilibrar os interesses conflitantes e estimulado a interlocução de Temer com o Palácio do Planalto.

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