Para sociólogo, governo acertou

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O sociólogo e cientista político Cândido Mendes de Almeida é incisivo ao afirmar que os recursos da União a partir da exploração do pré-sal, num horizonte de médio prazo, já teve prioridades corretamente definidas pelo governo.

– O presidente já situou as prioridades que vão necessariamente em direção do desenvolvimento da ciência e da tecnologia como resultado dos superecursos que deverão vir da exploração da plataforma oceânica.

– Importante sobretudo é que essa expansão possa ser feita trazendo a ciência e a tecnologia a uma política de pesquisa dentro da universidade. As universidades têm sido até agora remotamente tratadas na política de C&T e dos chamados fundos setoriais. Esses fundos acabam sempre na área da atividade produtiva e da economia. Não apenas a pesquisa pura, mas também a pesquisa que atenda às necessidades da política de desenvolvimento – acrescentou.

Quanto à questão da sustentabilidade ambiental, o reitor da Universidade Cândido Mendes entende que “esta situação no Brasil está sofrendo de um certo fetichismo ecológico”:

– As políticas de controle ambiental não são para o arranco do desenvolvimento, mas sim para a maturação do desenvolvimento.

O sociólogo não deixou de citar questões que ficaram de fora do novo marco regulatório. Há, segundo ele, inadequações na matriz de logística, um gargalo na infraestrutura do país.

– Há um peso excessivo no rodoviário e, tirando São Paulo, em matéria de ferrovia e rodovia, o resto é um desastre. É preciso usar mais as hidrovias.

O presidente Lula, por sua vez, disse que o novo fundo será uma “megapoupança, um passaporte para o futuro, que nos ajudará, entre outras coisas, a pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e a pobreza". Para muitos brasileiros, saúde também deveria ser relacionada ao combate à miséria.

– Muita coisa precisa melhorar neste país. O povo é muito carente de saúde e estudo. Não acredito que alguma coisa vá ser feita – declarou João Soares da Silva, outro que teve de voltar para casa sem ser atendido no hospital público. Com a perna amputada por complicações com cigarro e bebida, segundo ele, não trabalha mais como empreiteiro.

Silvete Gomes de Carvalho, de 38 anos, está com tuberculose e não consegue tratamento. Depois de esperar por três horas atendimento no Hospital Souza Aguiar, foi encaminhada para o posto de saúde Severino Timbau Junior, em São Cristóvão, mas mal conseguia caminhar até o ônibus.

– Estou quase morrendo e não consigo tratamento – disse a mulher, em péssimo estado, carregada pelos dois lados e sem conseguir focar os olhos. Para o casal, que depende de assistência do governo, o Brasil tem inúmeros problemas, mas a saúde é o pior deles.

O presidente Lula abriu a discussão com a sociedade, no discurso em cadeia nacional de rádio e televisão:

– Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva para seu deputado, seu senador, para que apoiem o que é melhor pro Brasil.

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