Deputados temem intervenção e abalo na sucessão local

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As denúncias envolvendo, até agora, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), assessores, autoridades e deputados locais podem levar a capital do país a uma crise institucional sem precedentes. A dimensão política do escândalo ainda é desconhecida, mas deputados federais do DF admitem que o caso - "mensalão do DEM" - pode exigir intervenção federal. Já se prevê uma reviravolta no quadro eleitoral. Considera-se Arruda, candidato à reeleição, praticamente fora do jogo.

O esquema de corrupção revelado pela operação da Polícia Federal "Caixa de Pandora" já atingiu Arruda, o vice-governador, Paulo Octávio (DEM), e o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM). Com os três sob suspeição, em caso de afastamento do governador do cargo, seguindo a linha sucessória, assume o presidente do Tribunal de Justiça, Niveo Gonçalves. Contra a possibilidade de uma intervenção, pesa a eleição daqui a 10 meses. A Constituição veda eleições em unidades federativas sob intervenção.

Há, entre políticos locais, temor de que a Câmara Distrital entre em colapso: quem teve acesso à investigação estima que três quartos dos 24 deputados distritais possam estar envolvidos. Cabe à Câmara aprovar abertura de processo criminal contra o governador e um eventual pedido de impeachment.

Do ponto de vista administrativo, a maior preocupação de políticos do DF é com o risco de paralisia total das obras contratadas pelo governo. As investigações da PF revelam que o Governo do Distrito Federal (GDF) cobrava "pedágio" de empresas contratadas. O governador José Roberto Arruda é o chefe responsável pela "organização criminosa". Segundo relatório da polícia, R$ 600 mil eram repassados mensalmente a aliados.

As investigações se baseiam em depoimento e fitas (de vídeo e áudio) gravados pelo ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, demitido na sexta-feira. Encontros e conversas entre envolvidos foram gravados ou filmados. Uma das fitas mostra Arruda recebendo dinheiro de Barbosa. Em seu depoimento, ele cita deputados e outras autoridades, além do conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Domingos Lamoglia.

Segundo relatório da PF enviado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), há "indícios de prática reiterada de diversos crimes por organização criminosa em atividade no governo do DF, aparentemente comandada pelo governador José Roberto Arruda". O relatório cita indícios de formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva e concussão.

Se tem potencial para tirar o atual chefe do governo da disputa ao Palácio do Buriti, avalia-se que o esquema desvendado pela PF dificilmente deixará de atingir o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) - antecessor de Arruda e pré-candidato a governador. Barbosa integrava o governo Roriz, em cuja gestão teria começado a trabalhar no esquema de corrupção para Arruda, então candidato.

Diante do golpe no governador e provável desgaste de Roriz, os dois adversários mais fortes da disputa ao GDF, os partidos começam a discutir alternativas para 2010. As principais legendas marcaram reuniões para hoje, feriado em Brasília (Dia do Evangélico). No primeiro momento, o ex-deputado e ex-ministro de Esportes Agnelo Queiroz (PT), pré-candidato com apoio do PSB, é visto como o maior beneficiado.

O enfraquecimento de Arruda e Roriz também já anima outros nomes do PT a se lançar. O PTB, que participa do governo, começa a avaliar a possibilidade de rompimento. O PDT discute se lança a candidatura do deputado distrital José Antonio Reguffe - um dos maiores opositores de Arruda na Câmara Distrital.

A oposição estuda pedir abertura de processo de impeachment contra Arruda e de quebra de decoro parlamentar contra os deputados supostamente envolvidos. Reguffe pretende, também, propor criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e a rescisão imediata de todos os contratos do GDF suspeito - com abertura de novas licitações.

O PT reúne Central Única dos Trabalhadores (CUT) e movimentos sociais para decidir que posição tomar. O PSB, que teve um de seus deputados distritais (Rogério Ulisses) citados entre os supostos beneficiários do esquema, deve exigir afastamento pelo menos até o fim das investigações.

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