Lula ironiza Serra. Da-lhe Lula

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Depois de uma semana em guerra aberta contra os tucanos, o presidente Lula e o governador José Serra (PSDB) viveram um dia de paz e amor, ontem, na sede da Fiesp, diante de uma platéia de 600 empresários e políticos, a maioria italianos. Serra começou seu discurso em italiano, falou da origem dos pais da Calábria e acabou elogiando a política econômica do governo.

- Estou 95% de acordo com o panorama que o ministro Guido Mantega (Fazenda) esboçou aqui - disse, citando o discurso anterior, do ministro da Fazenda de Lula, otimista sobre a situação econômica.

Lula disse que improvisaria o discurso e que tentaria evitar o risco de terminar cantando "Amore Mio". Mas fez propostas sutis de paz aos tucanos:

- Eu vou tentar não falar nada de macroeconomia, porque o Serra só discordou 5% do Guido (Mantega). E ele pode querer discordar um pouco mais de mim, uns seis (por cento). E nós vamos querer criar uma inimizade à toa. Então, não vou falar de macroeconomia, para ele concordar 100% comigo aqui.

Depois do evento, Serra disse que deixaria para os curiosos imaginarem os 5% de crítica que faria. Lula ironizou até a disputa política com Serra:

- Eu queria dizer ao Paulo (Skaf, presidente da Fiesp) que é importante ele parar de me convidar para vir aqui, porque daqui a pouco eu estarei vindo mais na sede da Fiesp que na sede da CUT, e isso pode me causar "complicômetros" . Toca que daí o Serra vai querer visitar a CUT mais do que eu... Então é preciso ter certo equilíbrio.

Ao final do discurso, nova brincadeira. Como Serra falara em italiano e contou que seus pais vieram da Itália, Lula brincou que os "Silva" também teriam raízes italianas:

- Serra, outro dia me disseram até que o meu Silva, na verdade é Shelva (que seria uma origem italiana). Porque, se eu não disser que tenho origem italiana, vai complicar...

À noite, em Brasília, Lula voltou às comparações entre seu governo e o governo tucano. Disse que os governadores do PSDB recebem mais recursos do governo federal em sua gestão do que recebiam nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Lula evitou citar o antecessor, mas afirmou que o governador de São Paulo Mario Covas (1995-2000) não recebia muita verba de Brasília com tucanos no governo federal. Globo

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