Arruda em cana

Pouco antes de o STJ determinar a prisão de José Roberto Arruda, estava em curso no Distrito Federal uma operação para fazer o vice, Paulo Octávio, submergir. Com uma série de denúncias nas costas, o empresário fora orientado tanto por políticos quanto por advogados a se manter longe do epicentro da crise. Tinha viagem marcada para os EUA.

A saída do governador por via judicial mudou o plano. Pesou na decisão de "PO" a ideia de que a renúncia seria uma espécie de confissão de seu envolvimento no escândalo. Além disso, a perspectiva de uma eventual intervenção federal pode encurtar sua permanência no cargo, aliviando as pressões.

"PO" monitorou a prisão de Arruda a partir do escritório do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. De lá, falou mais de uma vez por telefone com o agora governador afastado.

De um cardeal do DEM, sobre os caminhos abertos pela prisão de Arruda: "Para nós, o melhor seria a intervenção federal".

Um dos argumentos que embasaram o pedido de prisão feito pela Procuradoria Geral da República foi a proximidade de Arruda com os agentes da suposta tentativa de subornar Edson Sombra para atrapalhar as investigações sobre o mensalão candango. O secretário particular Rodrigo Arantes era tratado como filho do governador.

...e pessoal. Haroaldo Carvalho, diretor da Companhia Energética de Brasília, atuou como cabo eleitoral de Arruda, de quem é amigo desde os anos 80. Antonio Bento da Silva, preso na semana passada, também era da CEB.

Em depoimento à PF, Bento se referiu a Haroaldo. Disse que, na ocasião do flagrante, estava "na festa de casamento de um amigo" no Porcão. Era o próprio.

Segundo quem viu a nova leva de vídeos nas mãos dos procuradores, há cena de Márcio Machado, ex-secretário de Arruda, enchendo uma pasta de laptop com maços de dinheiro.

Outro lado. Paulo Octávio nega ter levado Marcelo Toledo, suspeito de operar o mensalãodo DEM, para uma conversa com Arruda.

Uma ala do DEM no DF flerta com a possibilidade de o secretário Alberto Fraga (Transportes) herdar o espólio eleitoral de Arruda, saindo candidato com Maria de Lourdes Abadia (PSDB) na chapa para o Senado. Seria um desenho de palanque para José Serra, cujo partido tem negociado com Roriz.Renata Lo Prete

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