DEM fará pesquisa para avaliar impacto do escândalo e definir "agenda positiva"

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Enquanto a direção nacional do DEM tenta avaliar os estragos causados pelo escândalo no Distrito Federal, os futuros candidatos do partido aos governos estaduais montam um discurso para se distanciar do governador José Roberto Arruda e, se for necessário, comparar o episódio com o mensalão do PT. Cada vez que o chamado "mensalão do DEM" for lembrado pelos adversários, a estratégia é dizer que os petistas preferiram ignorar a gravidade do caso, em 2005, enquanto o DEM afastou os envolvidos nas denúncias de corrupção.

No dia da prisão de Arruda, 11 de fevereiro, quase três meses depois de o escândalo estourar, a direção do DEM determinou que todos os filiados ocupantes de cargos no governo do DF deixassem suas funções.

Antes disso, desfiliaram-se do partido o próprio Arruda e o deputado distrital Leonardo Prudente, flagrado em vídeo escondendo dinheiro na meia e que também renunciou ao mandato, para escapar do processo de cassação. Na semana passada, foi o então governador interino, Paulo Octávio, quem deixou o partido e o governo.

Em março, o DEM vai realizar uma pesquisa nacional a fim de avaliar o impacto do episódio no eleitorado e também escolher cinco temas para uma "agenda positiva" a ser apresentada pela legenda. Os resultados da pesquisa vão ajudar na elaboração do programa do partido no horário gratuito de rádio e televisão, que vai ao ar em 27 de maio.

O comando da legenda quer ter noção dos efeitos provocados pelas imagens de políticos e assessores do governo recebendo propina e pela prisão de Arruda não só no Distrito Federal, mas especialmente em outros Estados. Quer também avaliar o vínculo que a população faz entre os principais personagens do esquema de pagamento de propina e o DEM.

Nas discussões iniciais sobre o programa partidário na TV, ainda não há consenso sobre como o episódio deve ser abordado. O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) é favorável a que a questão seja tratada claramente e "o partido aproveite o tempo na TV para mostrar que não passou a mão na cabeça dos envolvidos".

O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), ainda tem dúvidas, mas diz que o partido não vai ignorar os efeitos da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. "Vamos entrar no assunto, mas também lembrar pontos positivos, como a atuação do partido no Congresso, o fim da CPMF, propor uma agenda legislativa para o futuro", diz Maia. O programa ficará a cargo do publicitário Adriano Gehres, experiente em trabalhos para o partido.

Marqueteiros e dirigentes partidários procuram algo para "gerar impacto" e chegaram a lembrar da peça publicitária do PT em 2001, no governo FHC, quando Duda Mendonça criou a imagem de ratos que roíam a Bandeira do Brasil, em alusão a políticos governistas. A inserção provocou muita discussão na época e o PT acabou amenizando as imagens, em uma versão sem a bandeira brasileira.

CANDIDATOS

Transformado de PFL em DEM em março de 2007 para afastar a imagem de conservador, eliminar o termo "liberal" e disseminar a mensagem de renovação e modernidade, o partido enfrenta sua pior crise e tem visto minguar o número de governadores, prefeitos e parlamentares. Os seis governadores eleitos em 1998 caíram para quatro em 2002 e apenas um em 2006 - justamente José Roberto Arruda. Os deputados também diminuíram: foram eleitos 105 em 1998, 84 em 2002 e 65 em 2006. De mais de mil prefeitos eleitos em 2000, passou para 789 em 2004 e apenas 494 em 2008.

Nas eleições deste ano, o partido espera lançar o candidato a vice-presidente do tucano José Serra, apesar de alguns líderes do PSDB defenderem uma chapa puro-sangue, diante da fragilidade atual do DEM. Além disso, a legenda deverá lançar candidatos próprios a governador em pelo menos seis Estados.

Embora não neguem o desgaste para o partido, os futuros candidatos a governador do DEM insistem na tese de que se tratou de um fato isolado do Distrito Federal e de Arruda, antes apontado como administrador moderno e empreendedor. Argumentam que tinham pouco contato com o ex-colega de partido e jamais desconfiaram de qualquer irregularidade no governo.

Futuro candidato ao governo da Bahia, em coligação com o PSDB, e uma das maiores apostas do DEM este ano, o ex-governador Paulo Souto diz que não sentiu em seu Estado os efeitos do escândalo no DF e duvida que os adversários petistas usarão o episódio na campanha. "Eles sofreram um problema de gravidade muito grande e não reagiram como o DEM reagiu", argumenta Souto.

Pré-candidato do partido em Santa Catarina, o senador Raimundo Colombo não se conforma com a expressão "mensalão do DEM". "É um desgaste para o partido a exploração desse termo. Pode ser um mensalão do DF. Falei com o Arruda duas ou três vezes na minha vida", afirma Colombo.

ARREMESSO DE LAMA

Candidato ao Senado, o ex-prefeito Cesar Maia também duvida de efeitos negativos fora do Distrito Federal e de uma troca de acusações dos diversos "mensalões" investigados em vários partidos. "Seria uma olimpíada de arremesso de lama. Interessa a Dilma?", questiona Maia, referindo-se à pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff.

Possível candidato da legenda ao governo de Goiás, partido fortemente influenciado pelos acontecimentos políticos da capital federal, o deputado Ronaldo Caiado, ao lado do senador Demóstenes Torres, do mesmo Estado, foi um dos mais contundentes na mobilização pela desfiliação do vice-governador Paulo Octávio e na dissolução do comando do partido no DF. "Tivemos coragem de desfiliar todos os envolvidos, diferentemente de outros partidos, que transformaram envolvidos em líderes nacionais. O DEM não teve medo de abrir mão do único governador que tinha. Por acaso o Arruda é nosso coordenador de campanha? Já o José Dirceu está na campanha da Dilma", comparou Caiado, citando o deputado cassado e ex-ministro da Casa Civil do governo Lula.

2 Opinaram:

Alberto Bilac disse...

Cara Juliana,

Começou hoje a série: A Idade das Trevas - uma radiografia detalhada do ruinoso governo de FHC, em meu humilde blog Terra Goyazes! No ar e na rede, o primeiro capítulo: A Precarização do Estado. No endereço: http://terragoyazes.zip.net

JBmartins disse...

Nesta altura da Politica, eles devem fazer um levantamento para fechar para balanço, desta corja não sai mais nada eles so querem sugar.

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