PSDB diz que vai carimbar de ''herança maldita'' contas externas do governo

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Os tucanos avisa que vão usar a expressão "herança maldita" na área econômica para atacar pontos da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. No mais recente boletim de conjuntura, elaborado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), espécie de think tank ligado aos tucanos, técnicos do partido alertam para a situação das contas externas, dando o tom do que será explorado politicamente pela oposição no debate econômico em ano eleitoral.

Intitulada Com PT, País torna-se mais dependente do exterior, a publicação quinzenal do instituto, chamada Brasil Real, ataca o atual déficit em conta corrente, "em franca deterioração", prevendo um rombo de US$ 60 bilhões até dezembro - o mercado fala em US$ 50 bilhões. "O saldo da balança comercial só faz minguar. Tudo somado, parece certo que a gestão petista legará ao próximo presidente uma situação de déficit externo recorde, verdadeira "herança maldita" para o futuro do País", diz a carta, enviada semana passada para a bancada do partido no Congresso como subsídio ao discurso político do PSDB.

O déficit em conta corrente, somado à política fiscal do governo federal, já ocupa o lugar de principal alvo da política econômica atual e é, portanto, tema obrigatório da agenda da oposição. Ganhou força nos últimos dias com o aumento do debate em torno do crescimento da dívida de países europeus, principalmente a da Grécia. "Com as crescentes suspeitas sobre a solvência de vários países europeus, a instabilidade econômica mundial dá sinais de não ter sido definitivamente superada", afirma a carta.

Mas, apesar do diagnóstico consensual de fragilidade das contas externas, há no PSDB discussões sobre a conveniência de criticar a política econômica de Lula. Os ataques, avalia-se, dariam munição ao governo, que já propaga que haverá mudanças na condução da economia caso os tucanos vençam. A tese baseia-se, especialmente, em declaração feita pelo presidente do partido, Sérgio Guerra, à revista Veja, quando falou de alterações na economia.

PATERNIDADE

O texto publicado pelo ITV fala no "mais alto déficit externo da história", ultrapassando os 4,3% do PIB, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "A gestão Lula está rifando o futuro e transferindo empregos para o exterior. Esta será mais uma das "heranças malditas" que o governo do PT legará ao próximo presidente", diz o texto.

Especialistas apontam uma combinação entre as políticas fiscal e monetária promovidas pelo governo como responsável pelo déficit - entre 2003 e 2007 houve superávit nas contas externas, que medem a capacidade do País se financiar e honrar seus compromissos externos.

"Há uma mistura inadequada política fiscal com a política monetária que acaba terminando em déficit", disse Simão Silber, professor do departamento de economia da Faculdade de Economia e Administração da USP. "Há gastos em demasia e poupança baixa. Com excesso de gastos, alguém de fora tem de trazer recursos para fechar a conta", completou Silber. O governo aponta o alto nível das reservas internacionais - mais de US$ 240 bilhões - para dizer que a situação não é de risco.

Para os economistas, a política fiscal expansionista é responsável pelo déficit. Mais gastos levam a pressão inflacionária. O Banco Central aumenta os juros para conter a inflação, o que aprecia o câmbio e, portanto, causa queda nas exportações.

Tucanos e petistas trocam acusações sobre a "herança maldita". FHC disse, em recente artigo no Estado, que o País pagou um custo graças a "anos de bravata" do PT. Petistas rebatem e dizem que arrumaram a casa deixada pelos tucanos.

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