Dilma sem Lula faz Serra subir o tom

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O que mais chamou a atenção na sabatina dos presidenciáveis promovida ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi a performance de José Serra. No primeiro ambiente em que dividiu as atenções com Dilma Rousseff, sem Lula a fazer sombra à candidata, o ex-governador partiu para o ataque. Produziu uma avant-première da campanha após a Copa do Mundo, pródigo em críticas ao governo e à exposição de sua antecessora na tribuna .

A rigor, os três candidatos saíram-se bem na sabatina de ontem, dentro daquilo a que se propuseram. Dilma comprovou que o processo de mídia training (sessões sucessivas de treinamento simulando debates e entrevistas) pode fazer com que candidatos superem suas dificuldades diante de plateias exigentes.

Preocupou-se em mostrar naturalidade na abordagem de temas econômicos complexos e de mostrar-se como garantia de continuidade não só de governo, mas também de preservação da estabilidade econômica. Prometeu não rasgar contratos, admitindo que seu perfil impõe esse temor.

Cometeu aí seu principal erro.

Não convenceu na abordagem da reforma tributária, porque se limitou a culpar o Congresso pela rejeição de uma proposta do governo nesse sentido, que, na sequência, José Serra demonstrou equivocado. Também não convenceu ao defender a política monetária, ficando menos à vontade que Serra nesse quesito, pois o que se conhece de sua posição sobre o tema combina mais com o pensamento do adversário do que com o do presidente do BC, Henrique Meirelles, a quem sempre se opôs dentro do governo. Respondeu à maioria das questões formuladas pelos empresários com o PAC, elegendo-o como a panaceia para todos os problemas.

Estruturou sua fala em cima daquilo que já foi realizado pelo governo Lula e que usou para se credenciar como a gestora da continuidade.

Serra foi favorecido pelo sorteio que lhe permitiu, como segundo orador, críticas sem réplica, Serra foi além do provável script que levara no bolso. ias, finalizando com a promessa de, se eleito, desonerar a indústria de impostos estratégicos.

Marina Silva parecia condenada à repulsa íntima de cada espectador, por começar sua fala já após a hora normal de almoço, para uma plateia previamente disposta a acompanhar apenas os dois primeiro candidatos, na convicção de que a eleição está polarizada.

Surpreendeu, porém, ao manter a atenção de todos logo nos primeiros dos 25 minutos de sua exposição. "Negra, professora, analfabeta até os 16 anos, universitária oriunda do Mobral, latino-americana e sem carisma", definiu-se, conquistando a plateia.

Deixou um desafio aos seus antecessores: "A maioria vem aqui e assume compromisso com a reforma; uma vez eleita, reforma o compromisso", disse, para aplauso dos empresários. Definiu Dilma e Serra, pela ordem, como candidatos que prometem continuidade e mais realizações. "Mais do mesmo", criticou, para colocar-se como aquela que pode cumprir o lema de Serra "podemos fazer mais", absorvendo conceitos novos de uma economia moderna e comprometida com o crescimento sustentado.

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