Falta de sincronia

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Tão logo constatou a terceira derrota seguida em decisões cruciais para o governo federal, o interlocutor do Planalto na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), viu o horizonte mais distante. Líder do governo e articulador da campanha de Dilma Rousseff (PT) no Congresso Nacional, Vaccarezza contava com o sucesso à frente da bancada para virar, quem sabe, presidente da Casa em uma possível vitória da petista. O primeiro revés da série de derrotas foi a redistribuição dos royalties do petróleo. O segundo, a questão do reajuste dos aposentados. A falta de sincronia com a base dava indícios claros a Vaccarezza de que não conseguiria sustentar o índice admitido pelo governo.

Os argumentos apresentados para tentar virar o jogo incluíram até a liberação de emendas, no valor médio de R$ 4 milhões por parlamentar, há duas semanas — além da ameaça velada de retaliações aos revoltosos. O idioma não foi entendido pelo resto dos “aliados”. Certo da segunda derrota acachapante, Vaccarezza contava com pelo menos uma vitória de honra: a manutenção do fator previdenciário. Tinha tanta certeza do êxito que submergiu, atônito, depois da derrota, com a lista dos “traidores” debaixo do braço. A melhor explicação para as derrotas talvez venha de um deputado do baixo clero da Câmara. Para o parlamentar, ao acumular a interlocução do governo com a de campanha, restou a Vaccarezza uma liderança sem liderados. (Ivan Iunes)


Candidatos concordam

Os pré-candidatos à Presidência da República José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) anunciaram que vão reforçar a posição do governo no reajuste dos aposentados que ganham mais de um salário mínimo. Depois que a Câmara dos Deputados aprovou o reajuste de 7,7%, a tendência é de que o Senado mantenha o índice e jogue a decisão final sobre o aumento para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Para Dilma e Serra, o caráter social do reajuste não pode ultrapassar os limites financeiros do orçamento.

Os dois pré-candidatos anunciaram apoio à decisão de Lula, seja ela de manter ou de vetar o aumento aprovado no Congresso. Durante almoço com empresários no Rio Grande do Sul, Serra admitiu que existe defasagem no benefício pago aos aposentados, mas elogiou a responsabilidade econômica do governo, especialmente de Lula e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “Acho que os aposentados merecem uma melhora, sem dúvida nenhuma, porque há um atraso nessa questão. O Senado ainda vai deliberar e o governo vai decidir. Vou apoiar a posição que o governo federal tomar a esse respeito” disse Serra.

Pelo Twitter, Dilma também preferiu não criticar o aumento concedido pelos deputados, mas confiou a decisão ao presidente. “Lula tem compromisso com trabalhadores e aposentados que deram seu trabalho pelo Brasil. Tenho certeza de que ele decidirá de forma equilibrada”, escreveu Dilma.

Já o afastamento da senadora Marina Silva (PV-AC) vai durar menos de uma semana. Ontem, no Twitter, a pré-candidata à Presidência da República anunciou que não vai ficar de fora da discussão, que chegará na próxima semana no Senado. Ela pretende voltar ao Senado para discutir o reajuste dos aposentados e o fim do fator previdenciário.

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