PSDB manda prender pesquisador

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Uma pesquisa eleitoral foi apreendida na última segunda (22), na cidade de Varjão, em Goiânia. A ação, comandada pelo delegado regional Álvaro Cássio dos Santos, também resultou em prisão em flagrante de cinco pesquisadores da Exata Consultoria por um suposto crime de difamação contra Marconi Perillo, candidato do PSDB ao governo do Estado.

O questionário continha uma pergunta que especulava sobre eventual culpa do tucano em desvio de dinheiro para contas do Exterior. Em uma das 19 perguntas, havia texto tido como ofensivo a Marconi. Segundo o delegado, a questão polêmica no questionário eleitoral induzia o eleitor a se manifestar sobre o suposto envolvimento do tucano com contas no exterior, que estariam sendo investigadas pelo Ministério da Justiça.

As alternativas incluíam juízos de valor à conduta de Marconi, com as alternativas "inocente", "culpado" e "não sabe responder". A questão, por isto, é considerada crime de difamação, de acordo com o artigo 325 do Código Eleitoral, apesar de ser fato que o Ministério da Justiça iniciou investigação contra o senador sobre as supostas contas. Mas nada ainda ficou provado, o que caracteriza pré-julgamento.

O governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP) negou na manhã desta quinta-feira (24) que o Estado esteja por trás dessa pesquisa. A acusação foi feita pelo senador Marconi Perillo (PSDB), no jornal O Popular, de Goiânia, na última segunda-feira (21). O tucano declarou não ter dúvidas de que a pesquisa foi encomendada pelo governador, porque "todas as pesquisas feitas por este instituto são a mando do governador". Adilson Santana, popularmente conhecido como Catatau, dono da Exata, tem proximidade pessoal com Alcides, que é padrinho de uma de suas filhas.

Santana também foi indiciado, mas, assim como os cinco funcionários, responderá o processo em liberdade. Aos jornais de Goiânia, Adilson (que é conhecido pelo apelido de Catatau) disse que fazia a pesquisa em várias cidades do Estado por iniciativa própria e incluiu a pergunta polêmica por causa de uma curiosidade pessoal, ressaltando que o fato era de conhecimento público.

Do lado tucano, o coordenador político da campanha de Marconi, o ex-deputado federal Antônio Faleiros, acredita que ação pode ter sido planejada por inimigos políticos de Marconi. "Mas o eleitor é inteligente. Não cai mais neste tipo de coisa", acredita. "O fato é muito sério, e exigimos que as responsabilidades sejam apuradas o mais rápido possível", ainda disse o tucano. O delegado já remeteu o caso ao Ministério Público e os acusados podem pegar pena de detenção que vai de três meses a um ano.

Denúncia
A suspeita de possível existência de contas de Marconi no exterior foi levada a público por ele mesmo, em abril. Na oportunidade, Marconi encaminhou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB), representação solicitando que a corregedoria da Casa investigasse um dossiê contra ele, com falsificação de passaporte e de procuração em seu nome, documentos que teriam sido utilizados para abertura e movimentação de contas bancárias no exterior. O valor, à época, era de R$ 667,5 milhões.

O governo brasileiro abriu investigação oficial para apurar supostas movimentações bancárias de Marconi no exterior. Segundo informações do Jornal "O Estado de São Paulo", porém, formalmente, a investigação teve início em março, quando começou a tramitar no Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI) do Ministério da Justiça.

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